Publicado por: patriciadeoliveira15 | 12/02/2011

O regresso a “casa”

There’s nothing like home. Quantas vezes já ouvi isto. Esta semana calhou sentir na pele o significado desta expressão. Voltei a casa, isto é, voltei ao primeiro local onde estagiei: o PÚBLICO.

Desta vez, o estatuto já não é o de “estagiária”, mas de “jornalista” (aspirante a jornalista, era o que devia dizer, mas tenho orgulho em referir apenas “jornalista”). Comecei na segunda-feira e por lá vou continuar até ao dia 7 de Março. É apenas um mês, mas é o meu primeiro trabalho pago e na área. O meu grande desejo concretizou-se: entrar no mercado de trabalho.

E uma semana depois, digo-vos: estou de rastos. Hoje trabalhei 12 horas. Ontem passei mais de 6 horas a percorrer as estações de metro de toda a rede. Hoje acabei a pesquisa in loco, sob efeito de “benurons”. Repito: estou de rastos. Mas sabem que mais? Estou radiante! Sentia falta disto, de fazer jornalismo. As últimas três semanas em casa, “de férias”, custaram muito a passar. Sentia falta da pressão, do trabalho, do ambiente da redacção, dos profissionais que me rodeiam. E sinto-me preparada, empenhada para cumprir a minha função – graças aos dois estágios que fiz (em dois meios tão diferentes, mas que se complementam tão bem), sinto que cresci e evolui bastante.

Em duas palavrinhas apenas, sinto-me jornalista.

Publicado por: patriciadeoliveira15 | 04/02/2011

Hábitos sem rotina

Hoje há novo convidado em “Quem do dia faz notícia”. Chama-se Nuno de Noronha, é recém-licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto e tem umas palavrinhas para vos dizer…

A vida de jornalista é um corrupio. Nada é igual em nenhum dia. Nem os horários. Hoje sais às 18h, amanhã às 22h. Alguns dias às 23h! Raramente às 17h.

Porém, não há nada melhor do que trabalhar naquilo que se gosta. E eu fui feliz em 2010! Primeiro como correspondente do JPN em Madrid, o jornal da Universidade do Porto, e depois como jornalista estagiário do PÚBLICO, em Lisboa.

Os acontecimentos nunca são os de ontem, embora possam decorrer do que se passou no dia anterior. Está sempre presente o factor novidade. E há que trabalhá-lo com rapidez, sabedoria e rigor! E não há nada mais difícil do que o “rápido e bem”.

Porém, quem corre por gosto não cansa. (Hoje estamos numa de ditados populares.)

Os estágios nestes dois meios de Comunicação Social foram, de facto, experiências profícuas, nas quais aprendi muito do pouco que sei. Em Madrid as dificuldades eram, naturalmente, diferentes das contrariedades de Lisboa.

Em Madrid eu era “a redacção”. Sozinho, o trabalho era a multiplicar. Tratava-se de jornalismo multimédia: peça escrita, com vídeo, imagens, som e, às vezes, acompanhada de infografia. Trabalhei de uma forma mais espontânea e livre, já que o meio também o proporcionava. A criatividade poderia ser estendia aos diferentes componentes da notícia…

No PÚBLICO, esse factor circunscrevia-se ao tema e à produção do texto. Contudo, eu sou fã do “jornalismo MacGyver”, do jornalismo multimédia de que nos fala Anabela Gradim, da Universidade da Beira Interior. Acredito, piamente, que o jornalismo multiplataforma continuará a ser o presente e o futuro. E há quem o faça bem!

Por outro lado, o PÚBLICO deu-me a oportunidade de levar o meu trabalho mais longe. Sendo um jornal com um espectro de leitores bastante mais alargado, tive a oportunidade de ser lido por milhares de pessoas. Isso dá um gozo enorme.

Podia agora discorrer sobre fontes noticiosas, falar sobre a regra do contraditório, discursar acerca do rigor intelectual, da história do jornalismo, de ética e deontologia profissional, dos critérios jornalísticos e até sobre semiótica da comunicação.

Mas, na verdade, a única mensagem que quero que prevaleça é que nunca se deve desistir daquilo que se procura. Há que ter perseverança e humildade. Ambição e autocontrolo. Com serenidade e perspicuidade, atinge-se a meta. E sonhar nunca fez mal a ninguém… Aliás, praticamente tudo o que se conquista nasce com o sonho.

Jornalismo é aprendizagem. É tentativa. É ciência e é rigor. É um teste diário. É um hábito que se aprende e que se ganha, mas, felizmente, não tem rotinas.

Acho que tergiversei.

Nuno de Noronha

Publicado por: diogocavaleiro | 31/01/2011

Os primeiros dias

Há já duas semanas que não deixava aqui o meu comentário mas tenho de escrever algo, quanto mais não seja para dizer que tem sido um prazer estar no Negócios.

Já escrevi muito, já pesquisei muito, já me diverti muito, já li muito. Já cometi erros, já recebi críticas, já recebi elogios.

Também já me readaptei ao ritmo de um jornal, afinal tinha estado três meses sem trabalhar.

Acima de tudo, estou feliz. Entrei, e uns dias depois, já estava a trabalhar ao domingo (por vontade própria, pois não ia desperdiçar a oportunidade de acompanhar as Presidenciais). Sinto-me jornalista e sinto-me muito bem com isso.

Mas o trabalho continua. Há muito para fazer, temas para propor, assuntos para explorar. Agora, tenho de pôr em prática aquilo que fui aprendendo nos dois estágios que fiz: ser pró-activo, procurar informações, fazer perguntas, olhar com atenção o mundo, ler as entrelinhas, estar disponível para escrever e pensar. No final de contas, ser jornalista.

Publicado por: maragoncalves | 25/01/2011

Exemplos de trabalhos multimédia

Antes de mais peço desculpa por ter falhado a semana passada. Na universidade o mês de Janeiro costuma transformar a “vida” quase exclusivamente em “faculdade”, e no mestrado não é diferente. (Apenas as frequências são substituídas por trabalhos, mas com volume de trabalho muito semelhante)

Por isso, e porque hoje o tempo que tenho para me dedicar a este espaço também é escasso, deixo-vos com alguns exemplos de trabalhos multimédia (para inspiração e incentivo dos interessados na área) :

Publicado por: patriciadeoliveira15 | 21/01/2011

Há dias assim, de espera!

Nestes últimos dias tenho experimentado uma nova fase – uma fase que é comum à vida de grande parte dos recém-licenciados em Jornalismo e não só. Chama-se “enviar currículo e aguardar resposta”.

De facto não é das fases mais animadoras – principalmente quando a caixa de correio enviado está cheia de e-mails para possíveis entidades patronais e a caixa de entrada mantém-se sem novidades. Mas o importante é não baixar os braços. E para isso convém consultar regularmente algumas páginas de internet onde é possível ver a oferta que existe na área da comunicação social (entre outras). Assinalo a carga de trabalhos, que é a página que mais consulto.

Penso que o que vou dizer é do senso comum… É fundamental estar atento a tudo o que surge, apesar de nem tudo corresponder ao que nos interessa/ às nossas aptidões. Por agora vou seleccionando, enquanto ainda tenho margem de manobra. Significa isto que vou continuar a aumentar o número de e-mails na  minha caixa de correio enviado.

E vou também aprofundar a minha formação, apostando em áreas cada vez mais estruturantes para o Jornalismo – como o multimédia. And that’s it. Estes são os meus modestos objectivos a curto prazo, enquanto espero por respostas.

Publicado por: diogocavaleiro | 17/01/2011

O Regresso

Depois de um estágio no Verão no Jornal de Negócios, hoje voltei ao jornal. Agora, para trabalhar. A altura é de crise e a possibilidade de conseguir um emprego é difícil. E o sector dos media está em crise desde que comecei a pensar em seguir a área (já lá vão uns largos anos). Mas consegui.

Não vou fazer um percurso sobre como comecei a pensar que queria seguir jornalismo. O que quero dizer é que é bom não desistir quando o que queremos pode estar em frente. A verdade é que durante algum tempo pensei que estava a estudar para o desemprego. Contudo, sempre tive uma ponta de esperança de que poderia conseguir algum local na área para mostrar o meu valor.

No Negócios deram-me a possibilidade de o conseguir. Um óptimo sítio para estagiar e para o qual tive oportunidade de poder continuar a colaborar. E o que digo é que, apesar das dificuldades no mercado, há possibilidades.

A área de jornalismo/comunicação em economia parece-me uma boa aposta. Há oportunidades. Tenho amigos e colegas que as foram aproveitando. De momento, também o consegui. Claro que do futuro não se sabe e que nada é definitivo. Mas há que tentar, procurar e mostrar-nos. É preciso mostrar quem somos, mostrar o nosso trabalho.

Daí que dê razão a quem sempre disse que fazer um estágio é essencial. E, se ele correr bem, uma pequena parte do caminho foi percorrido. Claro que há sempre a sorte pelo meio. Mas, pelo menos, sabemos que o que podíamos foi feito.

E ainda me lembro da afirmação de uma rapariga da minha idade numa entrevista sobre desemprego que dizia que a nossa geração não era a que mais sofria, referindo as dos nossos avós e pais, que não tendo oportunidades, as foram procurar na cidade, em vez de ficarem pelo campo.

Publicado por: patriciadeoliveira15 | 14/01/2011

As despedidas deveriam ser proibidas

Chegou ao fim o meu estágio na Rádio Renascença. Infelizmente.

Foram três meses de muito trabalho, mas também de muita aprendizagem. Aprendi a trabalhar para o instante, porque a cada hora que passa é necessário ter o noticiário pronto. Para isso há que escrever, cortar, pesquisar, acrescentar, reescrever, gravar, editar, moldar. É necessária destreza; capacidade de fazer várias coisas quase em simultâneo. Mas acima de tudo é necessário ter a mínima consciência de que fazemos parte de uma equipa e de que há muita gente a depender desse colectivo, que é a rádio.

Como é óbvio, a rádio vive de som. Mas nem sempre é possível conseguir aquele “vivo” necessário para o noticiário seguinte. Ouvem-se muitos nãos, como em qualquer outro meio. Mas acreditem que quando se tem uma agenda recheada de contactos (e dos contactos certos), conseguem-se milagres – um dia terei a minha, espero. Basta um telefone ao lado, uma mesa de gravação disponível e voilá. Depois é só editar o som para tirar o “RM” que interessa, escrever o “pivot” (nem sempre a escrita mais correcta é a mais indicada para a rádio) e lê-lo em voz alta – é o truque mais útil para quem trabalha ao microfone.

Peço desculpa pela utilização abusiva da linguagem de uma redacção radiofónica. Já está demasiado interiorizada.

Basicamente foi este o meu trabalho – sem contar com as saídas e as minhas tentativas de compreender o marantz (o gravador utilizado). É verdade que o ritmo imposto não dá margem para erros e receios. A pressão não o deixa. Admito que no início tinha medo de não conseguir reagir positivamente a essa pressão. Mas agora posso dizer que foi a parte mais divertida. Trabalhar ao instante é, acima de tudo, um prazer imenso. Até porque o espírito da redacção proporciona isso.

Na Renascença tive a sorte de trabalhar em dois horários (noite, num primeiro momento, e tarde) e aprender com verdadeiros profissionais. Foram eles que me orientaram e mostraram o que é a rádio. Sem eles o meu estágio jamais teria corrido tão bem. Senti-me em casa e dizer adeus foi mesmo a parte mais difícil (as despedidas deveriam ser proibidas!). Mas, uma vez concluída esta fase, só posso dizer que trouxe de lá um baú cheio de conhecimentos úteis e experiência. E amigos!

E neste “andar para cá e para lá”, escreve e reescreve, aprende e faz correctamente… descobri que a rádio é uma das minhas grandes paixões.

Publicado por: maragoncalves | 11/01/2011

E em forma de resumo, uma entrevista sobre (o meu) jornalismo

Hoje o espaço é mais uma vez da Vanessa 😉

 

Para encerrar o capítulo estágio e experiência vinda de toda uma prática antes da prática, nada melhor que recuperar uma entrevista a mim dirigida, em Fevereiro de 2009, por um aluno da Universidade Fernando Pessoa no Porto. Em tom de resumo, diria que é um apontamento a rever, já que – sendo a suspeita do costume – olho para o jornalismo como algo apaixonado. Espero que gostem.

 

«O TRABALHO EXTRA-CURRICULAR É UMA MAIS VALIA ANTES E DEPOIS DE BOLONHA»

Ricardo Nunes: O twitter apresenta-se, actualmente, exemplo prático de uma nova face comunicacional. E no âmbito da vertente de Jornalismo da disciplina de GLC VI do curso de Ciências da Comunicação da UFP leccionada pelo Professor Ricardo Jorge Pinto, foi sugerido pelo referido docente o conhecimento desta plataforma via Web e posterior realização de uma entrevista via twitter a um dos seus milhões de utilizadores, como forma de demonstrar pragmaticamente o já presente e futuro do jornalismo. Feito o contacto prévio com um dos utilizadores, eis que chega a altura de “estar à conversa” com Vanessa Quitério aluna do 3º ano do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra e estagiária do Jornal Público.
Boa noite Vanessa. Começo por te perguntar: o que é para ti o jornalismo?

Vanessa Quitério: para mim uma paixão colocada em prática no seu sentido mais lato, jornalismo como a prática de dar informação a outros.

Ricardo Nunes: Uma paixão que remonta a que fase da tua vida?
Vanessa Quitério: A escolha de um curso superior fez me chegar até ao jornalismo, desde que entrei para a universidade que senti que este era o meu curso, mas desde muito cedo que gosto de partilhar informação, escrever e conhecer mais coisas.

Ricardo Nunes: E depois de 3 anos de uma licenciatura em Comunicação Social, pode-se falar numa “escolha certa”?

Vanessa Quitério: Sim. Nestes 3 anos percebi que não poderia fazer outra coisa que não fosse jornalismo, foi crescendo a paixão. Sabes, acho que muitas dos meus colegas não partilham desta paixão e sem paixão não se pode ser bom profissional, seja em que área for. Por isso acho que cada vez mais o jornalismo perde carisma pelo facto de se fazer uma prática sem o amor, o que desvirtua a profissão.

Ricardo Nunes: O jornalismo está-se a tornar, em tua opinião, cada vez mais comercial?

Vanessa Quitério: O jornalismo é comercial, já que é passível de venda, nós vendemos notícias, produzimos conteúdos, agora o que temos de saber fazer bem é como trabalhar com esse fim. Vendo o meu produto mas tenho de ter a consciência de que tem sempre repercussões. Actualmente estamos inseridos numa máquina produtiva, que vende para se sustentar.

Ricardo Nunes: E aquele que é o principio do jornalismo, informar com qualidade e isenção, está igualmente a desaparecer?

Vanessa Quitério: Desse modo parece que é mais importante ter que vender do que bem informar. claro que estou a ser um pouco exagerada, mas debato-me com esta questão todos os dias. A qualidade e a isenção são princípios inerentes a qualquer prática, mas no jornalismo pode fazer a diferença entre informar bem e ser mau informador.

Ricardo Nunes: Continuando, e recuperando o sentimento que nutres então pela escrita e pelo jornalismo, como é estagiar no Público?

Vanessa Quitério: Estagiar… se te contar que queria desistir na 1a semana, acreditas?

Ricardo Nunes: Porquê??

Vanessa Quitério: Só o acto em si de estagiar é uma responsabilidade. é o início cm profissionais a pressão foi enorme. Eu exigia a mim mesmo fazer logo tudo bem.
No 3o dia já publiquei e assinei artigos, foi o choque de começar o acto profissional
e como sempre, tudo o que faço é de mim um acto de responsabilidade, sem isso não encaro nada muito menos o jornalismo que pratico. Quero dar as coisas correctamente. É esse o meu dever.

Ricardo Nunes: E que feedback tens por parte da redacção por seres principiante no mundo do Jornalismo?

Vanessa Quitério: A deontologia e a ética são pressupostos essenciais e que muitos esquecem. Por parte da redacção vêem-me como qualquer profissional, lá não distinguem se és estagiária ou não. Simplesmente tenho um papel e tenho de o cumprir.

Ricardo Nunes: Não há um instinto professoral por parte dos teus colegas que estão há mais tempo na redacção?

Vanessa Quitério: Noto que sou eu como estudante de comunicação social com a certeza de querer aprender, não de esperar que digam tudo. Há malta que pensa que o curso basta. MAS NÃO! O curso é uma base, algo pequenino no mundo do conhecimento. Por parte de todos esses já profissionais, há sempre o instinto de nos guiarem, de ajudar por exemplo, quando entrego 1 artigo e o corrijo com o editor, vejo nisso um acto de aprendizagem.

Ricardo Nunes: E que tipo de artigos tens redigido?

Vanessa Quitério: Neste momento tenho estado a fazer os casos do dia. Resumidamente é fazer a ronda pelos bombeiros, psp e afins em busca das ocorrências, de trabalhar as ocorrências passíveis de serem exploradas e que tenham interesse para os leitores

Ricardo Nunes: Quantos colegas estagiários tens?

Vanessa Quitério: Neste momento na redacção temos 5 estagiários, 1 online, 1 foto, 3 imprensa e ao fim ao cabo somos todos uns aprendizes. O estágio é 1 bom momento para mostrarmos o que valemos e não me esqueço do que me foi dito no 1º dia pelo editor: posso ser a estagiária que está tudo dia em frente ao pc a ver os takes da LUSA ou simplesmente empreender, dar sugestões e largar as rotinas, a inércia.

Ricardo Nunes: E como surgiu essa oportunidade de estagiar num jornal de renome como o Público?

Vanessa Quitério: uuuhhhh é segredo. Surgiu a vaga para o PÚBLICO, foi enviado o meu currículo e aceitei fazer o protocolo de estágio. Sabes, oportunidades destas também só aparecem com alguma sorte. No meu caso, tive a sorte de valorizarem o meu trabalho extra curricular tenho incutido a outros colegas iniciados na licenciatura a empreender, a não se restringirem às aulas.

Ricardo Nunes: Presumo que não tenhas hesitado…

Vanessa Quitério: O impressionante é que ainda hesitei em ir para o PÚBLICO, não por ser o jornal que é, mas por ser uma oportunidade que me traz alguns dissabores. Como o estar a 200km de casa, ter que começar uma espécie de nova vida no Porto, mas depois tudo mudou.

Ricardo Nunes: Por falares em trabalho extra curricular, consideras que, agora mais do que nunca, e no espírito de bolonha o aluno deve levar em conta essa face para mais tarde se candidatar a um estágio/emprego?

Vanessa Quitério: BOLONHA, BOLONHA, o bicho papão destes jovens estudantes! O trabalho extra-curricular é uma mais valia antes e depois de bolonha, já que enriquece sempre a formação. Cada vez mais é dada importância ao trabalho fora do curso, já te falei no empreendedorismo ao candidatarmo-nos a um emprego, o que conta é se sabes fazer as coisas, e não somente se tens 20 a tudo. Existe nos alunos de agora a ideia errada que basta ter-se boas notas e voilá, o estágio aparece mas não é assim, o estágio é a oportunidade de pores em prática a profissão e dares de ti como profissional no jornalismo, como em qualquer outra prática, o importante é ser-se atento ao que se sempre se pode dar de novo.

Ricardo Nunes: E Bolonha não veio sobressair esse factor do “mostrar trabalho” e não do “trabalhar para a nota”?

Vanessa Quitério: Sim, bolonha veio reforçar o empenho que se deve ter na licenciatura. Mas acho que o trabalho deve existir sempre, o pessoal é que rabuja se tem mais trabalho, andamos todos mal habituados. Sem trabalho não se consegue nada, claro tem de ser qualitativo. Estamos a falar disso desde o início como achas que me descobriste? Não foi por estar a passear na rua ou nas compras. Desde cedo que tento mostrar trabalho e aplicar as oportunidades ao meu crescente trabalho académico. Eu sei que com bolonha os estudantes têm uma vertente mais prática no curso, mas isso só ajuda a que se assimilem os conceitos, sem a prática a teoria não tem muito valor. Ser teórico não me leva muito longe, se não souber aplicar na realidade.

Ricardo Nunes: E consideras o estágio no Público um prémio a esse dinamismo extra curricular?

Vanessa Quitério: Nesta área temos de estar atentos ao que novas ferramentas podem oferecer para melhorar o dar a informação. Não encaremos o estágio no PÚBLICO como um bónus. Simplesmente tive sorte. Mas pode ter ajudado. Este estágio o que me está a valer é o gosto pela prática. Sem a tal paixão não aguentava as pressões.

Ricardo Nunes: Aproveitando a tua deixa das novas ferramentas, e mudando um pouco o rumo desta conversa… as novas tecnologias vieram para ficar. Como te adaptaste a elas ? Como se adaptou a tua comunicação e a tua vontade para?

Vanessa Quitério: Simplesmente acompanhei o evoluir das novas ferramentas. Não fiquei estagnada, à espera que elas viessem ter comigo, hoje em dia temos tantas ferramentas, que é só utilizar, passamos a ser os maiores da “nossa aldeia”. Desde o final do meu 1º ano que fui experimentando o conceito de web 2.0, o cenário da web mais dinâmica e mais social. Utilizar as ferramentas em meu benefício fui adaptando essas minhas necessidades e fazendo comunicação a partir dessas novas oportunidades.

Ricardo Nunes: E no que toca ao jornalismo, achas que as novas tecnologias vieram ajudar jornalistas e leitores/espectadores?

Vanessa Quitério: Sem dúvida. Agora a maioria tem net, acede diariamente a conteúdos online e estabelece comunicação entre si. O jornalismo tem muito a beneficiar com a utilização das novas tecnologias e tipologias de informar se estiveste atento à twittosfera nos últimos dias, foi discutida a questão da utilização de novas plataformas no jornalismo as redes sociais, como o twitter, é o bom exemplo de que se pode também difundir conteúdos em rede, tens de estar é atento às questões éticas que a profissão exige e acima de tudo seres rigoroso no que dizes, porque de resto, palermices na web há muitas, só inovas se fores profissional no que fazes.

Ricardo Nunes: A tua selecção de fontes online, é muito apertada?

Vanessa Quitério: as fontes online são como as de carne e osso, têm de ser credíveis. A utilização de qualquer fonte deve ser em prol da confirmação dos factos e da recolha de informação.

Ricardo Nunes: Relativamente ao twitter, consideras este um bom meio para o jornalismo?

Vanessa Quitério: muito se tem discutido se o twitter é ou não jornalismo. Diria que é mais uma boa ferramenta para tal. Como ferramenta de difusão de conteúdos, é boa no aspecto da interacção imediata, podes criar a tua rede de contactos, partilhar interesses, difundir conteúdo, mas somente fazes um bom trabalho quando defines também os teus interesses, no jornalismo, o que queres acrescentar com isto? No meu caso, utilizo o twitter para potenciar o que vou fazendo e criar uma rede de contactos que me permita trocar interesses. Existem casos recentes dessa rapidez, a amaragem no rio hudson, os atentados na Índia, foi através desta plataforma que as informações começaram a surgir, e num instante tudo o mundo teve conhecimento.

Ricardo Nunes: Um caso de sucesso no que concerne à adaptação do jornalismo nas novas tecnologias?

Vanessa Quitério: Sim, posso dizer que sim, mas não vamos dizer que é a melhor plataforma e assim. Há que ir sabendo aproveitar as ferramentas.

23:55 Ricardo Nunes: Para concluir Vanessa, até porque a entrevista já vai longa e amanhã tens frequência… Optimista para o futuro como jornalista?

Vanessa Quitério: No que toca às novas tecnologias há que estar sempre alerta e não desistir de ir sempre mais além sempre optimista, já que não vou ficar por aqui. Esta área tem tanto para lhe dar como o que eu quiser explorar. O conhecimento nunca é total, como jornalista tenho muito a aprender, sempre e cada vez mais, é tudo uma questão de gosto e quanto a isso, cada vez mais me sinto mais apaixonada pela prática de informar.

Ricardo Nunes: O jornalismo ainda consegue chamar os mais novos para si?

Vanessa Quitério: Essa pergunta pode ser interpretada de muitas maneiras: O jornalismo chama os jovens muitas vezes pelo mediatismo que acarreta. Acredito que haja malta que se interessa pelo jornalismo no seu sentido puro mas, como tudo, só depende daquilo que quisermos fazer com ele (o jornalismo). Está nas minhas e nas tuas mãos, como jovens jornalistas, mudar a imagem de que jornalismo = mediatismo ser “fixe”.

Ricardo Nunes: Vanessa, muito obrigado pelo teu tempo e disponibilidade. A todos os que assistiram a esta entrevista, fica aqui um encorajador e apaixonado depoimento de uma jovem jornalista adepta das novas tecnologias, sem, no entanto descurar aquilo que a essência do jornalismo incute.

 

Este texto está também publicado no Comunicamos, plataforma do curso de Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD).

 

Publicado por: maragoncalves | 04/01/2011

A experiência da prática antes da prática

Volto a ceder o meu espaço  à Vanessa Quitério. Boas leituras!

 

Nas entrelinhas do jornalismo, muito se prepara para enfrentarmos derradeiramente o dia-a-dia na redacção, como tive oportunidade de experimentar aquando do estágio curricular no Jornal Público, no Porto, no início do ano de 2009. Passaram quase dois anos, e continuo ainda a escrever sobre isso, porque nunca é demais relembrar as boas experiências e partilhar, com aqueles que iniciam caminho no jornalismo, as vivências sentidas e os erros cometidos. É desta experiência e através desta análise constante que reformulo práticas e me consigo orientar na busca pelo jornalismo fiel à sua génese.

[não estranhem se a palavra experiência se repetir ao longo do texto. Como o título indica, é essa a vertente que quero expor neste post]

Para quem não sabe ou conhece a minha experiência pela primeira vez, criei durante esse estágio no Público o blogue PAREM AS MÁQUINAS, espaço onde tentei partilhar o que fazia na redacção durante os três meses que por lá estive, contando as práticas, os medos, os erros e tudo o que uma estudante de comunicação saída da faculdade poderia sentir na experiência como ‘jornalista a sério’.

No entanto, não era essa a primeira experiência como jornalista ‘a sério’. Antes do estágio no Porto, iniciei lides jornalísticas no Jornal Universitário de Coimbra A Cabra, a minha casa durante os dois últimos anos de curso e a família real na prática como historiadora do instante na cidade de Coimbra. O bichinho pelo jornalismo e o fôlego para a prática diária de mostrar a verdade foi no A Cabra que se alimentou.

Foi no terceiro piso da Associação Académica de Coimbra (AAC) que perdi o medo por falar ao telefone com uma fonte, foi lá que perdi (ganhei) noites a redigir artigos para a edição impressa que saía quinzenalmente; foi no A Cabra que corri contra o tempo dos deadlines e me iniciei nas lides do jornalismo online, tendo sido directora da redacção online nos fins de 2008. Foi com outros colegas da área e não só, que valorizei o papel e as palavras em sentido rigoroso, desbravando os medos de criar conhecimento e mostrar a realidade aos outros, leitores, receptores da informação em bruto.

É desta primeira experiência que foco a importância de praticar antes de enfrentarmos a verdadeira prática, passando a redundância – o tal estágio, o tal ingresso nas redacções num modo ‘a sério’. Sem a paixão do antes (dos dias e noites de reportagem, dos deadlines, dos caracteres que faltam, dos medos de perguntar à fonte algo mais indiscreto ou objectivo e ‘sacar’ aquela frase chave para título) não sei se conseguiria ter enfrentado com tanta vontade e brio a pressão de integrar a redacção norte do Público. Não por ser o melhor jornal ou a referência, mas por ser o momento de vermos numa escala mais global o nosso nome em artigos que mais pessoas iriam ler e para um público tão ou mais atento que os leitores do jornal universitário.

A escala do desafio como jornalista deu um salto e, de repente, tive insónias por cada caracter que escrevi. Por cada comentário que surgia no PAREM AS MÁQUINAS, de apoio, reconhecimento e de chamada de atenção.

O blogue tinha esse maior propósito: ser forma de ir relatando a prática jornalística na rotina diária na máquina noticiosa, in the moment, e também ser forma de perceber e aprender com os erros tão fáceis de cometer por quem saía da faculdade e integrava, num quase à força, o mundo do jornalismo. Por sorte, há dois anos atrás, já tratava a rotina furiosa da informação num ‘por tu’. Graças à experiência no A Cabra, enfrentei o desafio do estágio no Público, criei o blogue e abri caminho ao desmistificar das redacções.

É dessa experiência que retiro boas memórias e ainda mais saudades: do toque suave nas notícias de manhã, à chegada à redacção, do cheiro a café, o amigo fiel dos caracteres a preencher nos layouts vazios e da azáfama no fechar de edição, ao final da tarde. Nada muito de novo. Anteriormente no A Cabra, subir ao segundo andar da AAC fazia-se em inspirações rápidas, escrevia-se sobre Coimbra e o mundo na mesma rapidez que os deadlines quinzenais exigiam. E, no fim de tudo, o gosto apaixonado pela escrita. Pela verdade e pelo rigor. Esses foram os valores que sempre se mantiveram, nas práticas antes da prática.

Vanessa Quitério

Publicado por: diogocavaleiro | 03/01/2011

Ser avaliado é bom

Depois de umas semanas de ausência, cá estou de volta para o primeiro post do Quem do dia faz notícia de 2011.

Há meio ano que deixei a faculdade e a verdade é que começo a sentir falta daquele ambiente. Não de professores cujas cadeiras se baseavam em decorar matérias. Mas sim de professores que investiam no verdadeiro estudo, na ligação entre temas, na exploração de competências úteis para o futuro de quem estuda jornalismo. Sinto falta de ser avaliado constantemente. Uma pessoa precisa de estar sempre sob avaliação para não se desleixar naquilo que faz. E assim pode melhorar.

Por isso, é que vejo um lado positivo nos comentários a notícias nos sites de órgãos de comunicação. Acima de tudo, não os vejo como um comentário de alguém que apenas comenta, mas como alguém que sabe. Uma das “leis” do jornalismo que aprendi é que o leitor sabe mais do que o repórter. Quer isto dizer que não posso ter a arrogância de pensar que sei mais que os leitores, nem posso escrever coisas erradas, porque estaria a desinformar e porque alguém iria logo dizer que aquilo estava errado. E errar é um choque para a credibilidade de um jornalista.

Espero, então, que este seja um ano de avaliação, para todos nós. Porque sei que assim evoluímos.

Por fim, desejos um grande 2011 e continuem a visitar aqui o Quem do dia faz notícia.
PS: O blogue que mais sigo fez nestes dias 10 anos. Dou os meus parabéns ao Ponto Media, de António Granado. Acho que não vale a pena escrever mais nada, já que o Pedro Jerónimo disse tudo no seu blogue: http://www.jornalices.com/2011/01/03/parabens-e-agradecido/.

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