Publicado por: maragoncalves | 26/03/2011

Jornalismo Narrativo – Conferência na Lusófona

Num extra de fim-de-semana, o Ricardo Miguel Vieira traz-nos o resumo da Conferência “O Jornalismo Narrativo nos Media”, realizada na Universidade Lusófona, na passada quinta-feira.

 

A Reportagem tem o condão de ser uma bóia de salvação, tanto para o jornalismo como para um jovem futuro jornalista. Esta foi a principal conclusão da conferência “O Jornalismo Narrativo nos Media”, que decorreu ontem na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Debateu-se como alcançar uma boa reportagem, como vivenciar e observar o que nos rodeia. Como conseguir boas histórias. Histórias que envolvam o leitor, o ouvinte ou o espectador nesse mundo que construímos a partir dos nossos sentidos. Mas também se falou da classe profissional. Da necessidade de nós, jovens aspirantes a jornalistas, nos excedermos naquilo que fazemos. De trabalharmos apaixonada e imediatamente no nosso futuro, visto que parados dificilmente alcançamos os objectivos que propusemos a nós mesmos.

José Vegar, jornalista freelancer, começou por descrever, sem eufemismos, a realidade que hoje se vive no jornalismo. “Não precisamos de vocês nas redacções. 90% dos presentes, neste auditório, nunca trabalhará num meio de comunicação. E 70% dos que aqui estão nunca trabalhará para nos media.” É uma evidência, um facto. Temos de a aceitar e lidar com este real. Até porque, se queremos trabalhar com o verídico, temos de saber encará-lo, sem atenuantes.

Distribuídas que estavam as cartas, Vegar enumerou um conjunto de factores que são determinantes para invertermos a tendência e irmos a jogo:

PONTO 1: Nunca pensar que somos jornalistas. Somos portadores de competências e devemos enriquecê-las. Desenvolver ao máximo a nossa capacidade de pesquisa por informação e de produção e edição de texto, imagem e som, aplicando-os à realidade.;

PONTO 2: Ser curiosos. Obsessivamente curiosos pelo mundo que nos rodeia. Captar os detalhes da realidade que vivemos. Interrogarmo-nos sobre o que se passa, o que acontece, e procurar respostas;

PONTO 3: Ler. Ler muito. Quem espera alcançar o jornalismo narrativo deve ler imensa literatura não-ficcional. E, claro, conhecer os grandes escritores contemporâneos do denominado New Journalism. Um ponto de referência actual, citado por Vegar: a revista New Yorker;

PONTO 4: Escrever. Complementar a leitura com a escrita. Demora-se décadas a atingir um certo nível de maturidade na escrita. Aprender como tratar os textos e perceber a potência do jornalismo narrativo. Sem nunca esquecer o inglês, língua fundamental nos dias de hoje;

PONTO 5: Procurar formação avançada noutras áreas que não o jornalismo (Economia, Novas Tecnologias, Política, etc.);

PONTO 6: Deslocar os sonhos e ver a realidade: as redacções não precisam de jornalistas de moda, música ou desporto. Existem demasiados profissionais nessas áreas. O que as redacções precisam é de jornalistas narrativos. De alguém capaz de descodificar a realidade. Não ir atrás das “histórias do coitadinho”. Tratar os assuntos que realmente interessam: política, sociedade, economia…;

PONTO 8: Jamais desistir! Muitos portas se fecharão, muitas solicitações nossas serão ignoradas. É insistir até que alguém nos receba e veja o que temos para partilhar.

Ricardo J. Rodrigues, jornalista do Diário de Notícias, e Ana Sofia Fonseca, jornalista freelancer, frisaram alguns aspectos importantes sobre o profissional que trabalha em jornalismo narrativo. Ele deve conhecer a realidade das pessoas, para conseguir criar uma história com cheiro, cor, som e, principalmente, com a voz das pessoas. Por outro lado, ele deve inquietar-se, ter uma visão mais abrangente, cavar as histórias, perguntar sem medo, pensar no que está ali ao lado e que provoca curiosidade. Um jornalista não se pode fechar ao mundo. Sem ele, não pode escrever histórias.

No final, a principal mensagem aferida pelos três interlocutores era clara: somos nós quem pode salvar o jornalismo da crise em que se encontra e somos nós que desenhamos o nosso próprio caminho como potenciais futuros jornalistas.

Ricardo Miguel Vieira

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Responses

  1. […] O texto pode ser consultado no blog Quem do dia faz notícia. […]


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