Publicado por: maragoncalves | 11/01/2011

E em forma de resumo, uma entrevista sobre (o meu) jornalismo

Hoje o espaço é mais uma vez da Vanessa 😉

 

Para encerrar o capítulo estágio e experiência vinda de toda uma prática antes da prática, nada melhor que recuperar uma entrevista a mim dirigida, em Fevereiro de 2009, por um aluno da Universidade Fernando Pessoa no Porto. Em tom de resumo, diria que é um apontamento a rever, já que – sendo a suspeita do costume – olho para o jornalismo como algo apaixonado. Espero que gostem.

 

«O TRABALHO EXTRA-CURRICULAR É UMA MAIS VALIA ANTES E DEPOIS DE BOLONHA»

Ricardo Nunes: O twitter apresenta-se, actualmente, exemplo prático de uma nova face comunicacional. E no âmbito da vertente de Jornalismo da disciplina de GLC VI do curso de Ciências da Comunicação da UFP leccionada pelo Professor Ricardo Jorge Pinto, foi sugerido pelo referido docente o conhecimento desta plataforma via Web e posterior realização de uma entrevista via twitter a um dos seus milhões de utilizadores, como forma de demonstrar pragmaticamente o já presente e futuro do jornalismo. Feito o contacto prévio com um dos utilizadores, eis que chega a altura de “estar à conversa” com Vanessa Quitério aluna do 3º ano do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Coimbra e estagiária do Jornal Público.
Boa noite Vanessa. Começo por te perguntar: o que é para ti o jornalismo?

Vanessa Quitério: para mim uma paixão colocada em prática no seu sentido mais lato, jornalismo como a prática de dar informação a outros.

Ricardo Nunes: Uma paixão que remonta a que fase da tua vida?
Vanessa Quitério: A escolha de um curso superior fez me chegar até ao jornalismo, desde que entrei para a universidade que senti que este era o meu curso, mas desde muito cedo que gosto de partilhar informação, escrever e conhecer mais coisas.

Ricardo Nunes: E depois de 3 anos de uma licenciatura em Comunicação Social, pode-se falar numa “escolha certa”?

Vanessa Quitério: Sim. Nestes 3 anos percebi que não poderia fazer outra coisa que não fosse jornalismo, foi crescendo a paixão. Sabes, acho que muitas dos meus colegas não partilham desta paixão e sem paixão não se pode ser bom profissional, seja em que área for. Por isso acho que cada vez mais o jornalismo perde carisma pelo facto de se fazer uma prática sem o amor, o que desvirtua a profissão.

Ricardo Nunes: O jornalismo está-se a tornar, em tua opinião, cada vez mais comercial?

Vanessa Quitério: O jornalismo é comercial, já que é passível de venda, nós vendemos notícias, produzimos conteúdos, agora o que temos de saber fazer bem é como trabalhar com esse fim. Vendo o meu produto mas tenho de ter a consciência de que tem sempre repercussões. Actualmente estamos inseridos numa máquina produtiva, que vende para se sustentar.

Ricardo Nunes: E aquele que é o principio do jornalismo, informar com qualidade e isenção, está igualmente a desaparecer?

Vanessa Quitério: Desse modo parece que é mais importante ter que vender do que bem informar. claro que estou a ser um pouco exagerada, mas debato-me com esta questão todos os dias. A qualidade e a isenção são princípios inerentes a qualquer prática, mas no jornalismo pode fazer a diferença entre informar bem e ser mau informador.

Ricardo Nunes: Continuando, e recuperando o sentimento que nutres então pela escrita e pelo jornalismo, como é estagiar no Público?

Vanessa Quitério: Estagiar… se te contar que queria desistir na 1a semana, acreditas?

Ricardo Nunes: Porquê??

Vanessa Quitério: Só o acto em si de estagiar é uma responsabilidade. é o início cm profissionais a pressão foi enorme. Eu exigia a mim mesmo fazer logo tudo bem.
No 3o dia já publiquei e assinei artigos, foi o choque de começar o acto profissional
e como sempre, tudo o que faço é de mim um acto de responsabilidade, sem isso não encaro nada muito menos o jornalismo que pratico. Quero dar as coisas correctamente. É esse o meu dever.

Ricardo Nunes: E que feedback tens por parte da redacção por seres principiante no mundo do Jornalismo?

Vanessa Quitério: A deontologia e a ética são pressupostos essenciais e que muitos esquecem. Por parte da redacção vêem-me como qualquer profissional, lá não distinguem se és estagiária ou não. Simplesmente tenho um papel e tenho de o cumprir.

Ricardo Nunes: Não há um instinto professoral por parte dos teus colegas que estão há mais tempo na redacção?

Vanessa Quitério: Noto que sou eu como estudante de comunicação social com a certeza de querer aprender, não de esperar que digam tudo. Há malta que pensa que o curso basta. MAS NÃO! O curso é uma base, algo pequenino no mundo do conhecimento. Por parte de todos esses já profissionais, há sempre o instinto de nos guiarem, de ajudar por exemplo, quando entrego 1 artigo e o corrijo com o editor, vejo nisso um acto de aprendizagem.

Ricardo Nunes: E que tipo de artigos tens redigido?

Vanessa Quitério: Neste momento tenho estado a fazer os casos do dia. Resumidamente é fazer a ronda pelos bombeiros, psp e afins em busca das ocorrências, de trabalhar as ocorrências passíveis de serem exploradas e que tenham interesse para os leitores

Ricardo Nunes: Quantos colegas estagiários tens?

Vanessa Quitério: Neste momento na redacção temos 5 estagiários, 1 online, 1 foto, 3 imprensa e ao fim ao cabo somos todos uns aprendizes. O estágio é 1 bom momento para mostrarmos o que valemos e não me esqueço do que me foi dito no 1º dia pelo editor: posso ser a estagiária que está tudo dia em frente ao pc a ver os takes da LUSA ou simplesmente empreender, dar sugestões e largar as rotinas, a inércia.

Ricardo Nunes: E como surgiu essa oportunidade de estagiar num jornal de renome como o Público?

Vanessa Quitério: uuuhhhh é segredo. Surgiu a vaga para o PÚBLICO, foi enviado o meu currículo e aceitei fazer o protocolo de estágio. Sabes, oportunidades destas também só aparecem com alguma sorte. No meu caso, tive a sorte de valorizarem o meu trabalho extra curricular tenho incutido a outros colegas iniciados na licenciatura a empreender, a não se restringirem às aulas.

Ricardo Nunes: Presumo que não tenhas hesitado…

Vanessa Quitério: O impressionante é que ainda hesitei em ir para o PÚBLICO, não por ser o jornal que é, mas por ser uma oportunidade que me traz alguns dissabores. Como o estar a 200km de casa, ter que começar uma espécie de nova vida no Porto, mas depois tudo mudou.

Ricardo Nunes: Por falares em trabalho extra curricular, consideras que, agora mais do que nunca, e no espírito de bolonha o aluno deve levar em conta essa face para mais tarde se candidatar a um estágio/emprego?

Vanessa Quitério: BOLONHA, BOLONHA, o bicho papão destes jovens estudantes! O trabalho extra-curricular é uma mais valia antes e depois de bolonha, já que enriquece sempre a formação. Cada vez mais é dada importância ao trabalho fora do curso, já te falei no empreendedorismo ao candidatarmo-nos a um emprego, o que conta é se sabes fazer as coisas, e não somente se tens 20 a tudo. Existe nos alunos de agora a ideia errada que basta ter-se boas notas e voilá, o estágio aparece mas não é assim, o estágio é a oportunidade de pores em prática a profissão e dares de ti como profissional no jornalismo, como em qualquer outra prática, o importante é ser-se atento ao que se sempre se pode dar de novo.

Ricardo Nunes: E Bolonha não veio sobressair esse factor do “mostrar trabalho” e não do “trabalhar para a nota”?

Vanessa Quitério: Sim, bolonha veio reforçar o empenho que se deve ter na licenciatura. Mas acho que o trabalho deve existir sempre, o pessoal é que rabuja se tem mais trabalho, andamos todos mal habituados. Sem trabalho não se consegue nada, claro tem de ser qualitativo. Estamos a falar disso desde o início como achas que me descobriste? Não foi por estar a passear na rua ou nas compras. Desde cedo que tento mostrar trabalho e aplicar as oportunidades ao meu crescente trabalho académico. Eu sei que com bolonha os estudantes têm uma vertente mais prática no curso, mas isso só ajuda a que se assimilem os conceitos, sem a prática a teoria não tem muito valor. Ser teórico não me leva muito longe, se não souber aplicar na realidade.

Ricardo Nunes: E consideras o estágio no Público um prémio a esse dinamismo extra curricular?

Vanessa Quitério: Nesta área temos de estar atentos ao que novas ferramentas podem oferecer para melhorar o dar a informação. Não encaremos o estágio no PÚBLICO como um bónus. Simplesmente tive sorte. Mas pode ter ajudado. Este estágio o que me está a valer é o gosto pela prática. Sem a tal paixão não aguentava as pressões.

Ricardo Nunes: Aproveitando a tua deixa das novas ferramentas, e mudando um pouco o rumo desta conversa… as novas tecnologias vieram para ficar. Como te adaptaste a elas ? Como se adaptou a tua comunicação e a tua vontade para?

Vanessa Quitério: Simplesmente acompanhei o evoluir das novas ferramentas. Não fiquei estagnada, à espera que elas viessem ter comigo, hoje em dia temos tantas ferramentas, que é só utilizar, passamos a ser os maiores da “nossa aldeia”. Desde o final do meu 1º ano que fui experimentando o conceito de web 2.0, o cenário da web mais dinâmica e mais social. Utilizar as ferramentas em meu benefício fui adaptando essas minhas necessidades e fazendo comunicação a partir dessas novas oportunidades.

Ricardo Nunes: E no que toca ao jornalismo, achas que as novas tecnologias vieram ajudar jornalistas e leitores/espectadores?

Vanessa Quitério: Sem dúvida. Agora a maioria tem net, acede diariamente a conteúdos online e estabelece comunicação entre si. O jornalismo tem muito a beneficiar com a utilização das novas tecnologias e tipologias de informar se estiveste atento à twittosfera nos últimos dias, foi discutida a questão da utilização de novas plataformas no jornalismo as redes sociais, como o twitter, é o bom exemplo de que se pode também difundir conteúdos em rede, tens de estar é atento às questões éticas que a profissão exige e acima de tudo seres rigoroso no que dizes, porque de resto, palermices na web há muitas, só inovas se fores profissional no que fazes.

Ricardo Nunes: A tua selecção de fontes online, é muito apertada?

Vanessa Quitério: as fontes online são como as de carne e osso, têm de ser credíveis. A utilização de qualquer fonte deve ser em prol da confirmação dos factos e da recolha de informação.

Ricardo Nunes: Relativamente ao twitter, consideras este um bom meio para o jornalismo?

Vanessa Quitério: muito se tem discutido se o twitter é ou não jornalismo. Diria que é mais uma boa ferramenta para tal. Como ferramenta de difusão de conteúdos, é boa no aspecto da interacção imediata, podes criar a tua rede de contactos, partilhar interesses, difundir conteúdo, mas somente fazes um bom trabalho quando defines também os teus interesses, no jornalismo, o que queres acrescentar com isto? No meu caso, utilizo o twitter para potenciar o que vou fazendo e criar uma rede de contactos que me permita trocar interesses. Existem casos recentes dessa rapidez, a amaragem no rio hudson, os atentados na Índia, foi através desta plataforma que as informações começaram a surgir, e num instante tudo o mundo teve conhecimento.

Ricardo Nunes: Um caso de sucesso no que concerne à adaptação do jornalismo nas novas tecnologias?

Vanessa Quitério: Sim, posso dizer que sim, mas não vamos dizer que é a melhor plataforma e assim. Há que ir sabendo aproveitar as ferramentas.

23:55 Ricardo Nunes: Para concluir Vanessa, até porque a entrevista já vai longa e amanhã tens frequência… Optimista para o futuro como jornalista?

Vanessa Quitério: No que toca às novas tecnologias há que estar sempre alerta e não desistir de ir sempre mais além sempre optimista, já que não vou ficar por aqui. Esta área tem tanto para lhe dar como o que eu quiser explorar. O conhecimento nunca é total, como jornalista tenho muito a aprender, sempre e cada vez mais, é tudo uma questão de gosto e quanto a isso, cada vez mais me sinto mais apaixonada pela prática de informar.

Ricardo Nunes: O jornalismo ainda consegue chamar os mais novos para si?

Vanessa Quitério: Essa pergunta pode ser interpretada de muitas maneiras: O jornalismo chama os jovens muitas vezes pelo mediatismo que acarreta. Acredito que haja malta que se interessa pelo jornalismo no seu sentido puro mas, como tudo, só depende daquilo que quisermos fazer com ele (o jornalismo). Está nas minhas e nas tuas mãos, como jovens jornalistas, mudar a imagem de que jornalismo = mediatismo ser “fixe”.

Ricardo Nunes: Vanessa, muito obrigado pelo teu tempo e disponibilidade. A todos os que assistiram a esta entrevista, fica aqui um encorajador e apaixonado depoimento de uma jovem jornalista adepta das novas tecnologias, sem, no entanto descurar aquilo que a essência do jornalismo incute.

 

Este texto está também publicado no Comunicamos, plataforma do curso de Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD).

 

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