Publicado por: maragoncalves | 04/01/2011

A experiência da prática antes da prática

Volto a ceder o meu espaço  à Vanessa Quitério. Boas leituras!

 

Nas entrelinhas do jornalismo, muito se prepara para enfrentarmos derradeiramente o dia-a-dia na redacção, como tive oportunidade de experimentar aquando do estágio curricular no Jornal Público, no Porto, no início do ano de 2009. Passaram quase dois anos, e continuo ainda a escrever sobre isso, porque nunca é demais relembrar as boas experiências e partilhar, com aqueles que iniciam caminho no jornalismo, as vivências sentidas e os erros cometidos. É desta experiência e através desta análise constante que reformulo práticas e me consigo orientar na busca pelo jornalismo fiel à sua génese.

[não estranhem se a palavra experiência se repetir ao longo do texto. Como o título indica, é essa a vertente que quero expor neste post]

Para quem não sabe ou conhece a minha experiência pela primeira vez, criei durante esse estágio no Público o blogue PAREM AS MÁQUINAS, espaço onde tentei partilhar o que fazia na redacção durante os três meses que por lá estive, contando as práticas, os medos, os erros e tudo o que uma estudante de comunicação saída da faculdade poderia sentir na experiência como ‘jornalista a sério’.

No entanto, não era essa a primeira experiência como jornalista ‘a sério’. Antes do estágio no Porto, iniciei lides jornalísticas no Jornal Universitário de Coimbra A Cabra, a minha casa durante os dois últimos anos de curso e a família real na prática como historiadora do instante na cidade de Coimbra. O bichinho pelo jornalismo e o fôlego para a prática diária de mostrar a verdade foi no A Cabra que se alimentou.

Foi no terceiro piso da Associação Académica de Coimbra (AAC) que perdi o medo por falar ao telefone com uma fonte, foi lá que perdi (ganhei) noites a redigir artigos para a edição impressa que saía quinzenalmente; foi no A Cabra que corri contra o tempo dos deadlines e me iniciei nas lides do jornalismo online, tendo sido directora da redacção online nos fins de 2008. Foi com outros colegas da área e não só, que valorizei o papel e as palavras em sentido rigoroso, desbravando os medos de criar conhecimento e mostrar a realidade aos outros, leitores, receptores da informação em bruto.

É desta primeira experiência que foco a importância de praticar antes de enfrentarmos a verdadeira prática, passando a redundância – o tal estágio, o tal ingresso nas redacções num modo ‘a sério’. Sem a paixão do antes (dos dias e noites de reportagem, dos deadlines, dos caracteres que faltam, dos medos de perguntar à fonte algo mais indiscreto ou objectivo e ‘sacar’ aquela frase chave para título) não sei se conseguiria ter enfrentado com tanta vontade e brio a pressão de integrar a redacção norte do Público. Não por ser o melhor jornal ou a referência, mas por ser o momento de vermos numa escala mais global o nosso nome em artigos que mais pessoas iriam ler e para um público tão ou mais atento que os leitores do jornal universitário.

A escala do desafio como jornalista deu um salto e, de repente, tive insónias por cada caracter que escrevi. Por cada comentário que surgia no PAREM AS MÁQUINAS, de apoio, reconhecimento e de chamada de atenção.

O blogue tinha esse maior propósito: ser forma de ir relatando a prática jornalística na rotina diária na máquina noticiosa, in the moment, e também ser forma de perceber e aprender com os erros tão fáceis de cometer por quem saía da faculdade e integrava, num quase à força, o mundo do jornalismo. Por sorte, há dois anos atrás, já tratava a rotina furiosa da informação num ‘por tu’. Graças à experiência no A Cabra, enfrentei o desafio do estágio no Público, criei o blogue e abri caminho ao desmistificar das redacções.

É dessa experiência que retiro boas memórias e ainda mais saudades: do toque suave nas notícias de manhã, à chegada à redacção, do cheiro a café, o amigo fiel dos caracteres a preencher nos layouts vazios e da azáfama no fechar de edição, ao final da tarde. Nada muito de novo. Anteriormente no A Cabra, subir ao segundo andar da AAC fazia-se em inspirações rápidas, escrevia-se sobre Coimbra e o mundo na mesma rapidez que os deadlines quinzenais exigiam. E, no fim de tudo, o gosto apaixonado pela escrita. Pela verdade e pelo rigor. Esses foram os valores que sempre se mantiveram, nas práticas antes da prática.

Vanessa Quitério

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