Publicado por: maragoncalves | 21/12/2010

Ser jornalista faz de nós uns Historiadores do Instante

Como prometido, já aqui está o primeiro post da Vanessa Quitério.

 

Escrevo este post com um prazer imenso, pelo convite feito pela Mara Gonçalves, e pelo facto de alguém (ainda) achar relevante e importante a questão da partilha de experiências, no que toca ao jornalismo e na procura de um lugar no mercado ‘dito de trabalho’. Vamos por partes.

Gostaria de partilhar neste espaço do ‘Quem do dia faz notícia’ algumas das boas experiências que tive ao longo da minha formação académica e no próprio estágio curricular, sem deixar de passar lembrança pelo pós-estágio e inevitável drama (se assim o podemos chamar) da procura de um lugar na prática diária da realidade noticiosa.

No entanto, porque quem por aqui passa, percebe que sou exemplo como centenas de recém-licenciados na área de comunicação e jornalismo, deixarei – em outros posts que surgirão por diante – alguns dos bons investimentos que fui fazendo para superar dificuldades e, acima de tudo, para me ir mantendo activa neste mundo cada vez mais competitivo. Deixo a adenda: não sou exemplo de prática ou método, mas simplesmente partilho a minha imensa paixão pelo jornalismo, algo que levo muito a sério e que acredito ainda ser possível levar por diante. Quem somos nós, jornalistas, se não meros Historiadores do Instante? (e aqui deixo a minha singela homenagem ao professor Sansão Coelho, o verdadeiro dono desta frase, que me marcou no segundo ano da faculdade e que, desde então, me acompanha nesta saga).

Paixão. Primeiro ponto de tudo isto. Eu sei que estamos numa realidade que em nada atura idealistas e apaixonados, muito mais numa área como a de comunicação. Há que ser assertivos, concisos e práticos. Não dar margem de manobra ao adversário (a que muitos chamam tempo, outros colegas de profissão) nem sequer margem de erro. Mas como posso eu olhar para a prática do jornalismo, se não for com o olhar de quem gosta, de quem sofre por cada mau uso do código deontológico, pelas personagens de poleiro que se chegam à frente e dizem: “Sou jornalista!” mas que se esfumam nessa mera imagem? Perdoem-me todos os que me lêem. Certamente já estão fartos desta minha ladainha. Mas pelo menos deixem-me explicar o porquê desta paixão!

Comunicar é uma capacidade e necessidade que todos nós, seres humanos, transportamos desde que nascemos. Desde cedo que me apercebi que «falar mais que pelos cotovelos» e gostar de perceber o que me rodeava, poderia ser um indicador a ter em conta naquela altura crucial do ‘que área escolher’. E assim foi. Ao entrar para a faculdade foi inevitável a escolha por um curso de comunicação, vertente social, ou para os mais frequentadores da ESEC, o curso de jornalismo lá do sítio.

Descobrir que – mais que ser um mero pião na esfera mediática e no tal mundo que eu gostava de conhecer – poderia ser um instrumento acutilante na produção desse mundo foi, para mim, um dos melhores momentos da minha vida. Quem mais poderia ser eu se não um Historiador do Instante, personagem activa da construção da (H)história presente e com a sempre necessidade de perceber o passado? Quem mais poderia ser eu que veículo de descodificações e estandarte de oportunidades de denúncia e valorização da verdade? Foi ai, e assim, que descobri a paixão pelo jornalismo, o deslumbre pelo que poderia ser e fazer, na imagem do novo profissional – tecnológico e com novos meios – mas sempre eterno praticante da verdade, de sapatos empoeirados e de bloco de notas na mão.

Novos desafios se colocam, nos dias de hoje e nos tempos que correm. Refiro-me à mudança de paradigma, em que o consumidor é já (e também) produtor de conteúdos, e exige ser ouvido na construção da informação dita noticiosa. Novas personagens se chegam a frente e novos meios se mostram mais interessantes que ‘escrito no jornal de hoje’. Não sou ferrenha pelo jornalismo uni-plataforma. Abranjo e aceito a multiplicidade de formas e métodos para se fazer jornalismo e historiar a realidade. Chamem-me ferrenha sim, pela crença vertiginosa, que qualquer boa prática precisa de bons profissionais. E apaixonados, de preferência!

Acho que teria melhor sorte se enveredasse pela escrita floreada de contos, do que propriamente na escrita rigorosa e concisa que tem de ser o relato noticioso da realidade. Mas quando me pedem para falar da minha paixão, perdoem-me mais uma vez, esqueço de regras e formalismos, e deixo fluir a conversa. Porque mais que uma coisa prática e partilhada, este post pretende ser uma entrada ao que vos quero mostrar: a prática jornalística precisa de novos apaixonados, que sintam que vale a pena lutar por um lugar aqui e agora. O desalento – e quem me acompanha os passos percebe bem o que a mim me custa não viver deste jornalismo – consome muitas vezes desejos e aspirações. Mas se for sustentada numa boa dose de paixão, tudo parece, remediadamente, um percalço com resolução. O jornalismo necessita de pessoas que o levem a sério, possam dar a vida por ele e pela sua actuação, sempre com os valores de verdade, isenção e rigor como principais motores.

Até p’ra semana.

Vanessa Quitério

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