Publicado por: diogocavaleiro | 13/12/2010

Estágios curriculares: faz sentido serem remunerados?

Há um ano, eu e algumas colegas (entre elas a Filipa Crespo Ramos e a Ana Filipa Pinto aqui do blogue) estávamos a ter as primeiras reuniões para formar a Comissão de Estágios da área de jornalismo do nosso curso. Começámos a ver como tinham corrido as coisas com as comissões anteriores, que órgãos de comunicação social costumavam aceitar estagiários e coisas do género.

E, nessa altura, surgiu também a discussão sobre o facto de os estágios serem, ou não, remunerados. Por isso, lanço aqui a discussão.

Faz sentido rejeitar estágios curriculares quando não são pagos, mas nos quais se faz um trabalho próximo ao do jornalista?

Ou faz sentido aceitar estagiar num local e não ser remunerado, já que aquele período faz ainda parte do processo de aprendizagem académico?

 

PS: Volto a escrever no blogue já em 2011, a 3 de Janeiro. Uma óptima passagem de ano e um grande 2011.

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Responses

  1. Fazendo ou não sentido remunerar um estagiário em termos gerais, há, pelo menos, situações individuais em que se justifica recusar um estágio por ser não remunerado.
    Quem, ainda enquanto estudante, tem a necessidade de acumular essa ocupação com um emprego a tempo inteiro, provavelmente teria de abandonar esse emprego para estagiar no final do curso. Mas um estágio, apesar de ser uma continuação do processo de formação académica, não é exactamente o mesmo que tirar um curso – sejamos honestos, um horário médio em Ciências da Comunicação tem algumas horas livres por semana, e em determinadas situações é possível abdicar de assistir a algumas sessões mantendo o aproveitamento, é possível estudar e trabalhar ao mesmo tempo, enquanto que um horário de estágio muito dificilmente permitiria manter outro emprego em simultâneo.
    Como pode então um recém-licenciado nesta situação aceitar um estágio não-remunerado? A coisa fica complicada.

  2. Eu acho que faz sentido fazer um estágio não remunerado. Posso até compreender que se façam dois estágios não remunerados. Estamos a aprender, ainda somos muito verdes e provavelmente ainda não temos as capacidades, prática ou experiência suficientes para cobrarmos pelo nosso trabalho.

    O que me custa é muitas vezes ser essa esa a única coisa disponível: estágios não remunerados. E que chegue a um ponto em que se façam opções de: ou continuar a trabalhar de graça – de estágio em estágio – ou se opte por outra via, fora do jornalismo. Chega um momento em que não se pode pedir mais aos pais e infelizmente ainda não é possível viver apenas da paixão pelo que se faz.

    Por isso, para mim, mais do que perguntar se faz ou não sentido que hajam estágios curriculares ou estágios não-remunerados; acho que faz mais sentido perguntar porque é que só existe esse tipos de estágios.

  3. Eu concordo com a Mara.
    Há um limite para tudo. Até porque a “aprendizagem” é contínua à vida. Acho que fazer um estágio (remunerado ou não remunerado – se bem que encontrar um estágio em jornalismo que seja remunerado é um “achado”) é mais que aconselhável. Mas como 90% são não remunerados, chega a um momento em que é necessário parar.
    Em resposta à Mara, acho que é o contexto actual que propícia os estágios “gratuitos”… Uma pena, não haja dúvida. O pior é tudo aquilo que vem por arrasto. Nomeadamente, uma espécie de “cultura” em que cada vez mais se considera que esse tipo de estágios são os ideais (falo das empresas) – afinal concilia-se mão-de-obra com lucro (reformulo, ausência de pagamento de salários).
    A mim parece-me que essa “cultura” vai permanecer… e não vejo um fim próximo. Portanto, vai continuar a depender de cada um de nós fazer essa opção “desagradável”: continuar a insistir e a estagiar de graça, fazendo o mesmo trabalho de quem recebe (uma, duas, três e quatro vezes) ou então seguir outros caminhos e apostar em algo novo. Ser empreendedor, se possível.

  4. Ainda que os 3 comentários acabem por se mostrar – ainda que de forma pouco convicta e com algumas reservas – contra os estágios não remunerados, parece-me que o ângulo desta discussão está ao lado do essencial: um estágio é trabalho, logo é lógico que seja remunerado. O que é verdadeiramente estranho é termos chegado ao ponto em que isto é discutível.

    E se me permitem responder directamente a ti, Patrícia, quanto a esta frase: “A mim parece-me que essa “cultura” vai permanecer… e não vejo um fim próximo”. Não posso discordar mais. Esta “cultura” como chamas é tua também, és tu que a alimentas com a tua inércia. Tenho de ser justa aqui: não és tu, somos todos. Uma pessoa não faz uma “cultura” sozinha. Do mesmo modo que uma pessoa, sozinha, ao rejeitar um estágio-não-remunerado não muda o estado de coisas. Mas se as pessoas se juntarem num movimento conjunto, aí sim temos o princípio de qualquer coisa.

    E nem sequer é assim tão difícil. Tal como defendi nas reuniões a que o Diogo se refere, há um primeiro passo que pode ser dado, sublinho: primeiro passo. E é tão simples: propor a todas as comissões de estágios das faculdades de jornalismo que, quando enviam os CV’s para os órgãos de comunicação, juntem uma carta em que defendem que não concordam com estágios não remunerados.

    E isto nem sequer é uma proposta radical de recusa liminar de qualquer estágio, proponho apenas que nos pronunciemos. Já que ninguém nos perguntou nada, façamo-nos ouvir, mostremos que temos uma opinião.


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