Publicado por: anafilipapinto | 12/12/2010

Ir para poder voltar

Prometido é devido.

Hoje não vou falar do que é ser jornalista, do que é estar no mundo da comunicação. Hoje vou falar sobre algo que gostaria de ver contemplado como um direito do estudante do ensino superior. Falo de Erasmus, Intercâmbios… Qualquer coisa que nos exija largar a nossa zona de conforto, qualquer coisa que já faz a diferença nas entrevistas para emprego, que pesa no CV, que nos faz crescer, que marca a nossa história de uma maneira que eu achava ser impossível, exagerada sempre que ouvia outros descreverem-na.

Eu fui para o Rio de Janeiro, para a Universidade Federal da afamada “cidade maravilhosa”. Conheci um ensino diferente, uma sala de aula sem formalismos, uma teoria mais acompanhada pela prática, uma avaliação mais preocupada com a certeza de que tudo ficou aprendido. Não sei se melhor, se pior. Mas diferente. Encontrei uma burocracia tão mais leve quando foi preciso arranjar um estágio. Bastou pedir e comecei a “fazer parte” da redacção.

Assisti de perto ao jornalismo televisivo brasileiro numa época em que se discutia a necessidade de reforçar a segurança dos profissionais que saíam em reportagem. Forcei o sotaque e guardei tudo o que de melhor por lá aprendi. Para além da cultura, da aventura, do desafio… Para além das pessoas que “trouxe comigo”, das fotografias que tirei, dos lugares que conheci, dos momentos que coleccionei… Aprendi a sobreviver num mundo estranho, “desenrasquei-me”, vi o meu cartão multibanco ser clonado, fiz entrevistas sem associar nomes a caras, um ensaio fotográfico e um programa de rádio sobre culinária, cresci muito em áreas como o marketing, a assessoria… E andei por Copacabana. As saudades são muitas e pude concluir que, só saindo de cá, percebemos que o jornalismo, a comunicação (e a vida) não são ”só isto”.

Voltei e aconselho (a todos!) que partam, mal possam. Faz parte.

(Aproveitando a ocasião, fica aqui o sincero “obrigada” à minha companheira de viagem, de quarto, de passeio, de refeição, de tarefas domésticas, de estudo, de trabalhos, de desesperos, de entrevistas, de lágrimas, de sorrisos, de gargalhadas, de idas ao cinema, de idas ao Bob comer gelados “ovomaltine”, de idas às compras, de caminhadas até à faculdade, de 3000 fotografias, de seis meses algures no outro lado do Atlântico… À minha Ana Margarida.)

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Responses

  1. Sem dúvida, queria ter feito algum programa do género.


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