Publicado por: diogocavaleiro | 16/11/2010

Os bastidores

Não queria ficar para trás entre os colegas do blogue e esta semana é a minha vez de trazer uma convidada. A Filipa Moreno fala-nos das fontes jornalísticas e do trabalho de gestão necessário para as manter.

Passar da teoria à prática pode ser surpreendente.

Lembro-me de estudar, durante o curso, que as relações entre jornalistas e fontes, especialmente políticos, podem assumir formas distintas. Assistir e viver as representações dessas mesmas formas é verdadeiramente surpreendente para quem, como eu, está agora a dar os primeiros no jornalismo – sério e a sério.

Ouvir os colegas mais experientes tratarem por tu muitas das altas figuras do nosso palco político deixou-me espantada. A cooperação que se estabelece entre os jornalistas que cobrem habitualmente os mesmos assuntos e os seus protagonistas é uma relação tão espantosa quanto inesperada. Talvez a minha visão ingénua de estudante acabada de sair da faculdade fosse demasiado idealista – os jornalistas são independentes e alinham, mais rapidamente, contra essas fontes do que ao seu lado. Afinal, não é tanto assim.

Não digo que isso seja negativo ou uma fuga ao código deontológico e à posição que assiste tradicionalmente ao jornalismo – a tal de contra-poder de que tanto ouvimos falar na teoria. Pelo contrário, é preciso muita inteligência e experiência para manter estas relações de cooperação; saber gerir a informação recebida, manter o contacto realizado, atender a um pedido. Soube inclusivamente de contactos que não se perderam depois de jornalistas terem escrito algo que prejudicou os visados. Tenho assistido a tudo isto, tantas vezes de queixo caído ao ver as colecções de contactos dos meus colegas.

Claro está que algumas dessas fontes gostam de nos dificultar o trabalho. Uma frustração recorrente que já tive o desprazer de viver resulta de horas de espera para estabelecer um contacto, seguidas de uma recusa – “não vou falar mais sobre o assunto”.

As fontes são tudo. E, por isso, as relações que se estabelecem com elas devem ser, acima de tudo, geridas de forma muito inteligente e atenta. É imperativo respeitá-las mas saber ler as suas intenções por detrás da informação.

6. O jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes. O jornalista não deve revelar, mesmo em juízo, as suas fontes confidenciais de informação, nem desrespeitar os compromissos assumidos, excepto se o tentarem usar para canalizar informações falsas. As opiniões devem ser sempre atribuídas.

Filipa Moreno

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