Publicado por: patriciadeoliveira15 | 13/11/2010

Fazer desporto dentro do estúdio

Esta semana cedo o meu espaço a alguém que estagiou na Antena 1 este Verão.

Aqui fica o contributo da Diana Mendes Jorge. É um testemunho diferente, uma vez que a Diana estagiou numa secção que tem grandes particularidades (e que até agora ainda não tinha sido aqui abordada) – a secção de Desporto.

Tal como a Ana Filipa, eu também fiz o meu estágio na Antena 1. Além desse ponto em comum tivemos o facto de termos estado as duas na mesma secção, embora não ao mesmo tempo. E é por isso que o que conto aqui hoje vai incidir mais na parte diferente: fazer parte da secção de desporto da Antena1.

Primeiro que tudo tenho a informar que o meu gosto por rádio deve-se, na sua maioria, ao desporto. Para mim desporto e rádio funcionam em simbiose e foi essa a razão que me fez optar pelo estágio em rádio. Entrei na secção de desporto logo no meu primeiro mês de estágio e literalmente de pára-quedas! Na visita às instalações, no primeiro dia, fui entregue ao responsável (durante o decorrer do Mundial) da secção do nada, no meio de um dos corredores. Tudo porque tinha referido que gostava de desporto na entrevista e o meu ‘orientador’ se lembrou quando o viu.

A primeira semana teve um quê de estranha até me ter habituado… Conheci os meus colegas de secção, tudo homens… à excepção das duas produtoras! Foi um período anormal para se entrar no desporto. Com o mundial a decorrer na África do Sul, a maior parte da informação era mandada de lá pelos jornalistas que se encontravam na cobertura do evento. Mas também deu para perceber que, na rádio, a informação desportiva faz-se, maioritariamente, dentro do estúdio, agarrados ao telefone. E aqui se nota bastante a importância de se ter uma agenda cheia de contactos e de já se ser ‘conhecido’ no meio.

Enquanto Portugal esteve no Mundial tive oportunidade de assistir às emissões especiais feitas para relatar os jogos. Dentro do estúdio de emissão tudo sofre, fala, ralha, grita… Estava longe de pensar, quando ouvia as emissões, que se agia tão normalmente dentro do estúdio! Mas também é necessário estar atento pois a qualquer momento o pivot em estúdio é chamado a intervir e o ouvinte não se pode aperceber da ‘algazarra’.

Mas também assisti aos jogos no estúdio de apoio ao estúdio de emissão, onde está o técnico e, neste caso, a produtora. Aqui reina a calma durante o jogo… mas com o aproximar do fim do jogo é precisa bastante destreza e profissionalismo… dar indicações ao pivot que o jornalista está a postos para falar com um jogador, ou que há um canal já a falar com o treinador e há que pôr esse som no ar, ver que jogadores vão falando e a que horas para depois se retirarem esses sons para os próximos espaços informativos. Tenho a dizer que fiquei abismada com esta parte! Não imaginava mesmo estas situações…. E já para não falar na luta constante contra o tempo que se faz em rádio.

Passado o período anormal, em que me limitei a observar muito, a estar atenta e chamar a atenção ao editor do dia sobre novidades que vão surgindo nos telex ou nos jornais online, começou a normalidade na secção. Aqui sim faz sentido o título deste post. 60% das notícias chegam até nós pelos jornais do dia, 10% vêm de acontecimentos a que nos temos de deslocar e onde estão presentes as figuras importantes… Os restantes 30% são fruto da criatividade agarrada a um telefone… ou seja, há um assunto do dia e há que pensar num contacto muito bom que esteja relacionado com ele e que esteja disposto a falar… ou há a possibilidade de vir um jogador para um dos grandes e por isso tem de se conseguir arranjar o número dele e falar com ele ou, em ultimo caso, com o agente… Tudo feito nos estúdios…!!

E foi por isso que só tive uma verdadeira saída para o terreno… Mas foi uma saída 2 em 1… Assistir ao primeiro treino da época do (meu) Benfica no Seixal, ajudar o jornalista com quem fui a ter todos os dados prontos para o directo no noticiário, e depois ir à apresentação dos equipamentos novos do Sporting no Estádio de Alvalade. Aqui acabei por não ver a apresentação em concreto pois o Bettencourt, presidente do Sporting, falou antes do evento e era prioritário ir editar os sons e mandá-los já prontos para entrarem na emissão.

Assim, o meu dia-a-dia passou a ser ler tudo, devorar tudo o que tivesse desporto, escrever textos sobre as modalidades ou selecções jovens para o editor ver e ler nos noticiários e ajudar durante os mesmos, pondo o alinhamento no sistema, estando atenta a notícias de última hora que pudessem surgir e comunicar ao editor, acrescentar sons ao noticiário, retirar sons do alinhamento porque já não havia tempo para mais nada ir para o ar!

E mesmo quando tive de mudar de secção, continuei a dar uma ‘espreitadela’ ao desporto! Quando surgiam novidades em cima dos noticiários escrevia os textos, com e sem sons, para a editora da manhã 2… ou mesmo durante o noticiário de desporto do 12h30 lá ia eu imprimir a noticia/telex e dar ao editor…. E até ir levar o próprio do noticiário ao pivot quando este entrava em estúdio em cima da hora, sem ter tempo de levar tudo com ele, e antes passava por mim a correr e dizia: “Diana, levas-me o resto?” ou então eu adiantava-me e dizia-lhe: ”Vai-te embora que eu levo o que falta!”.

Foi apenas um mês na secção mas foi um mês intenso de que guardo excelentes momentos de trabalho e diversão. Aliás, na secção de desporto não se trabalha sem haver diversão…Todos tem o seu contributo. Com eles aprendi essa lição e vi que posso fazer desporto e continuar a divertir-me ao fazê-lo, tal como antes. E agora aprecio ainda mais ouvir as emissões de desporto… O som da voz, as expressões, os entusiasmos nos relatos já não accionam a minha imaginação mas sim a minha memória… Identifico cada voz que oiço a uma cara, a um momento, a um sorriso!

Quanto a questões mais práticas, a Antena 1 é um bom sítio para se estagiar, onde os jornalistas que lá estão são bons profissionais e boas pessoas e estão sempre dispostos a ajudar e a ensinar… Só há duas questões menos positivas: o facto de as nossas peças não poderem ir para a emissão, a nossa voz não pode estar em antena… apenas os sons que tratamos e recolhemos; e também o facto de a nossa conta de utilizadores no sistema ter limitações que, muitas vezes, impedem de podermos contribuir mais e fazer com que precisemos sempre de um jornalista.

Peço desculpa se me alonguei e se não disse nada que vos interessasse… Mesmo assim obrigada aos que me leram, nem que tenha sido só um ou dois parágrafos ;P

Diana Mendes Jorge

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