Publicado por: anafilipapinto | 23/09/2010

“Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”

Aproveitando a “deixa” do post do nosso Diogo e tendo em conta que estou à beirinha do final do meu estágio na Antena 1, hoje gostava de falar um bocadinho sobre a desejada “prática”, a célebre “experiência” que nos pedem nos anúncios de emprego. Mas até que ponto é fácil arranjarmos essa mesma “experiência”? Até que ponto, do outro lado, há sempre alguém disposto a receber quem tem muito por aprender? Arranjar um estágio pode não ser tão fácil quanto parece. Quem está disposto a ouvir dez “nãos” e um “sim”? Muitos? Poucos? Alguns, talvez. Depende muito de nós. Mas não depende tudo. É necessário o voto de confiança, o investimento naquele depósito de ideias em bruto que do entusiasmo faz arma imparável. No fundo, precisamos de quem “perca tempo” connosco para que, um dia, possamos lembrar aquele tempo como o maior dos ganhos.

Como já revelei aqui, no meu primeiro contributo para o blog, estive numa rádio local durante uns aninhos. O que recebi em troca? A certeza de que confiavam e acreditavam em mim. Não há nada mais importante, não é? Foi lá que mais errei. Mas também foi lá que mais aprendi. E sim esse “tactear” de realidade deu-me a certeza de querer sem incertezas. Foi antes de entrar para a faculdade, fez-me companhia durante o secundário. Viu amadurecer a “decisão final”.

Já na faculdade, a experiência veio com as tais “cadeiras” em que nós, alunos, temos o poder nas mãos: cada um investe o que quer, cada um arrisca o que quer. Depois é teimar em escrever e reescrever, gravar e regravar, editar e reeditar. Tempo e paciência. Cafés e chocolates. Nos intervalos, entre as conversas na esplanada e as corridas contra o tempo, faz-se muito. Faz-se o que se pode. Workshops, formações, cursos, palestras, seminários. Resta ter tempo e, muitas vezes, dinheiro. Mais um entrave para juntar à lista.

Depois parti para o Rio de Janeiro. Intercâmbio de seis meses, universidade federal e um jornalismo diferente. Ensinado também de forma diferente. Entretanto, eis que surge a oportunidade: três portuguesas e um estágio na televisão da rede Bandeirantes. E, por entre muitos telefonemas com sotaque brasileiro forçado, ganham-se os “bons vícios”.

Regressada a Portugal, curso terminado: o mundo parece demasiado assustador. A Antena 1 deu-me uma mãozinha (uma mãozinha suficientemente grande para me dar “colo” para os primeiros passos hesitantes no jornalismo “a sério”). Agora estou aqui. Prestes a terminar mais um pedaço de “experiência”. A tal que faz a diferença, que nos ajuda a crescer, que nos abana o cérebro cheio de teorias, aquelas que absorvemos na faculdade e que só agora podemos interpretar, filtrar, moldar.

A “experiência”. É preciso procurar. É preciso saber encontrar. Acima de tudo, é preciso não desistir de procurar e é urgente que nos deixem encontrar. Só assim podemos realmente “viver” de tudo um pouco. O erro é ousar pensar: “eu não gosto disto”. Eu também não gostava de brócolos. Depois percebi que até gostava. Como? Nunca tinha “experimentado” com azeite e alho. O jornalismo também é assim. É tão bom “experimentá-lo” com vários temperos.

E sim, não há dúvida, sem esse “experimentar” nada somos. Com ele, somos “obrigados” a sugá-lo como se três meses passassem a voar. E não é que passam mesmo?! E, chegada ao “agora” bem distinto da palavra “fim”, vem à memória a tal “frase batida” da música de Sérgio Godinho: “Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida”.

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