Publicado por: patriciatavares | 17/09/2010

Somos a geração do online?

Hoje decidi puxar um tema para se debater em “Quem do dia faz notícia”. Tema: o online. Porquê? Porque dizem que somos a “geração do online”. A minha pergunta é: a afirmação faz sentido no contexto nacional? Na minha opinião, ainda se está numa fase de implementação.

Explico porquê. Esta semana participei num pequeno vídeo que faz parte de uma iniciativa do Público online. Um dos assuntos que tive que abordar foi a importância do online no jornalismo. Em primeiro lugar, não pude deixar de referir o desejo de imediaticidade cada vez mais natural do público. Vivemos na era da informação, em que todos querem saber de tudo o quanto antes. Como se sabe, o online desempenha um papel importantíssimo neste enquadramento, já que cada vez mais as pessoas utilizam a internet e têm acesso à informação através desse meio.

Mas mais do que isso: o online abre todo um caminho de criatividade e novos modelos de apresentação da informação. Falo dos gráficos animados, das infografias, das reportagens que conciliam áudio, imagem, texto e que podem ser vistas em plataformas muito interessantes. A ideia é atrair e cativar o leitor/espectador e dar a infomação de um modo mais simples. Para isso é imprescindível ter em conta que as pessoas (não, não são apenas as mulheres, lembrando o anúncio da axe) se aborrecem muito rapidamente – basta pensar, como referiu a minha colega Ana Tavares, que ler uma reportagem em papel nada tem que ver com ler um texto online. Conclusão: é preciso procurar formas alternativas de dar a informação, de forma a “prender” o público. (Aconselho este texto – dica de António Granado)

Nisto coloca-se a questão inicial: que papel ocupa o online no contexto nacional? A aposta tem sido forte, mas parece-me que ainda falta percorrer muito caminho até que seja duradoura. Isto porque sabemos que o papel do online em muitos países ocidentais está bem mais consolidado. Em alguns casos acaba mesmo por suplantar os meios tradicionais (como o Jornal do Brasil, que deixou de ser impresso para passar a ser totalmente online). Em Portugal, o online está em crescimento, assim como a consciência da sua importância (ainda não somos plenamente a “geração do online”). As universidades deviam ser as primeiras a criar cadeiras que permitam iniciar e incentivar os futuros jornalistas a apostar e a trabalhar com o online. Mas sabemos que, por enquanto, isso está longe de acontecer (pelo menos, em todos os casos). Se essa é a tendência que vai permanecer? Duvido, mas acredito que ainda vai demorar até haver uma alteração efectiva.

Para o online ocupar um papel de maior relevo não é necessário que substitua os meios tradicionais – se bem que muitos antecipam essa substituição. Muito pelo contrário: a ideia é vê-lo como um complemento – para dar a informação na hora e explorar novos contextos informativos. Para isso falta ainda ter mais e mais consciência das suas potencialidades e arriscar, acima de tudo.

E vocês, o que pensam do assunto? Deixem as vossas opiniões e contributos. Nós agradecemos.

Patrícia

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Responses

  1. Patrícia,

    Apenas uma correcção, que é mais do que isso. A aposta não tem sido forte, tem sido fraquíssima. E não se pode comparar com nada do que se passa por esse mundo fora. Os média portugueses estão adormecidos no que ao online diz respeito e apenas fazem o que é sua estrita obrigação. Nada mais.

  2. Professor,

    penso que a aposta tem sido “forte” dentro daquilo que tem sido a evolução do online nos últimos tempos. Tem-se dado uma maior importância às tecnologias (lembro-me que há dois ou três anos alguns media não tinham uma versão online. Ou se tinham, os conteúdos eram insignificantes. O mesmo no que diz respeito à imprensa regional – tem-se dado uma evolução a este nível). Claro está que ainda há um longo caminho a percorrer, porque, como referiu, a maior parte dos media portugueses apenas fazem “o que é sua estrita obrigação”. Mais ainda quando se compara (ou se tenta fazer a comparação) com a realidade lá fora. Infelizmente. Falta criatividade e vontade de arriscar, lá está.


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