Publicado por: anafilipapinto | 27/08/2010

“Estágios”

O tempo passa tão depressa. Tem um vício irritante de correr quando devia andar lenta e calmamente. Só lhe faz mal este stress em excesso. Mas ele não aceita conselhos e só abranda o passo quando não é preciso. Eram três meses e meio de estágio. São, agora, algumas semanas. E dou por mim a recuar nesse tempo que só avança. Há um ano estávamos prestes a (re)iniciar a rotina. Era altura de ver horários, escolher cadeiras, arrumar mais um ano. Alternávamos a pressa de acabar com a vontade de ficar na esplanada a apanhar sol e ideias. Eu sei que é suposto falarmos de “estágios”. Mas… Tenho saudades. Independentemente dos defeitos do curso, de tantas e mais falhas que não nos cansamos de apontar com consciência e razão. Apesar, até mesmo, das casas de banho e do excesso de teoria. Posso dizer, sem ponderar, que foram, são e serão, sempre, as pessoas que conseguem fazer a diferença. E fizeram. E não falo apenas de quando os elevadores paravam entre dois pisos e começavam a circular “pedidos de socorro”.

Por muitas voltas que tentemos dar no universo de associações à palavra “jornalismo” (bem ao jeito do anúncio da “worten”), iremos sempre parar ao vocábulo “pessoa” – aquela de que é feita a notícia, aquela que faz e para quem se faz a notícia. Aprendemos e (re)aprendemos isso diariamente, a cada momento que passa, nos “estágios”. E eu lembro-me, a cada momento desses que passam sem deixar rasto, da faculdade. Lembro-me especialmente daqueles trabalhos de grupo tão “atribulados” – aqueles em que a impressora deixava de funcionar às 5h da manhã, aqueles em que a hemeroteca ou a casa da Ana Margarida virava morada habitual, aqueles em que resolvíamos juntar vários grupos e ocupar os cantos mais absurdos da faculdade para trocar ideias sobre Métodos Quantitativos, aqueles que nos obrigavam a repousar durante as aulas e a comer fast food para descontrair, aqueles durante os quais se descobriam coisas giras como “mexer o café com uma barra de KitKat”! Nesses momentos, foram as pessoas que fizeram a diferença. Só por causa delas é que me lembro dos momentos. E, caso contrário, tenho a certeza absoluta que, jamais, poderia pensar, em voz alta ou no mais envergonhado silêncio, “um dia vou saber fazer jornalismo”. Pelo menos daquele que se diz ser feito de pessoas, por pessoas, para pessoas e, acima de tudo, com outras pessoas.

Pois. Hoje escrevi sobre “estágios”. Sim, dos que ensinam a fazer jornalismo. Sim, “estágios” feitos de… Isso mesmo: pessoas. “Estágios” que, com ou sem protocolo, acontecem todos os dias, têm a vida como “coordenadora do departamento de recursos humanos”. A faculdade foi um deles. E hoje escrevi sobre ela. Pois, afinal, o “estágio” não dura apenas 3 meses.

(Obrigada “pessoas”)

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Responses

  1. Não tenho propriamente saudades da FCSH. Tenho saudades do ambiente académico, isso sim. E tenho saudades de ficar ansioso porque as aulas iam começar. Infelizmente, já não sinto essa adrenalina há uns dois anos.
    Mas, a adrenalina de aprender com as pessoas continua na minha pessoa. E espero continuar a fazer esse “estágio” pela vida fora. ;P


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