Publicado por: anafilipapinto | 19/08/2010

“The sweet is never as sweet without the sour”

Passei três anos de faculdade a estudar as origens do jornalismo, os seus objectivos, os seus ideais, os seus valores, as suas muitas batalhas, as suas tantas vitórias, as suas tantas (demasiadas) derrotas. Falávamos do que ouvíamos falar. Falávamos de um orgulhoso e enfático “Quarto Poder” ou, melhor ainda, de um poderoso e quase sinistro “Contra Poder”. Corria adrenalina em cada descrição, sinceramente sentida, do que era a carreira daqueles que viviam de momentos, sugando o que de notícia neles poderia existir. Um “correr atrás” viciante que apaixona e seduz. Mas será o jornalista esse real guerreiro sem armadura, figura idílica que faz delirar as mentes e os sonhos de muitos? Perguntas que surgem com conversas que fazem pensar e pensar e pensar e pensar.

Eram 12 os anos que somava quando, do nada, resolvi passar a dizer: “Ah. Eu quero ser jornalista”. E, sempre que o dizia, a imagem que surgia na minha cabeça de miúda era a de uma conferência de imprensa, uma sala imensa e repleta, um jornalista de braço no ar, cabeça erguida, voz segura e uma pergunta corajosa, engasgada na garganta de todos os outros presentes, disparada e ecoando na sala. Entretanto, com o ego inchado e as aparentes certezas no sítio, vamos entrando nas tais salas de conferência de imprensa e percebendo que o “jornalista” pode muito bem ser comparado a um fotógrafo quando pressiona o botão. No jornalismo também existem os tais momentos certos. Até para fazer perguntas. É tudo bem mais reflectido do que na eterna imagem do “herói que apenas age” – avaliar rostos, gestos, palavras, hábitos (por momentos, lembrei-me daquela série que passa na Fox. Aquela em que se ampliam expressões para melhor se verem as emoções). Temos a pergunta na boca, o coração aos pulos, as mãos a transpirar, o estômago apertado e a vontade no auge. Engraçado, estimulante, assustador. Mas como ouvi dizer na redacção que “faz do meu dia notícia”, “o nosso trabalho é fazer perguntas”. Inspira, expira. Conta até dez. Pois. Falamos da que é a única arma possível e, por vezes, a mais arriscada (para quem a ouve e, até mesmo, para quem a faz). Uma pergunta. À qual se deverá seguir uma resposta. Ou não. Uma oportunidade de fazer o “figurão” ou de ficar marcado como “o mais ridículo de sempre”. Incrível. Supostamente, estamos a falar “apenas” de uma pergunta. E por falar em perguntas: “este cenário é tal e qual como o idealizei?! Talvez não… Cresci “enganada” por Hollywood. No entanto, a realidade é bem mais interessante. Porque, afinal de contas, “the sweet is never as sweet without the sour”.

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