Publicado por: patriciatavares | 10/04/2011

Fazer rádio na Renascença

Hoje o convidado de “Quem do dia faz notícia” é João Póvoas, recém-licenciado e mais um apaixonado por rádio. Estagiou e já trabalhou na Renascença. Aqui fica o testemunho. (Peço desculpa ao João e aos que acompanham o blog, porque este texto já devia ter saído na sexta-feira. Falha minha.)

Dizem que a vida é feita de fases, umas piores, outras razoáveis, outras que são tão boas que acabam por  passar sem sequer se dar por isso. É nesta última que se enquadram os nove meses que passei na Rádio Renascença. Terminei o meu curso na Católica em finais de Junho e passados três dias tive a sorte de começar um estágio curricular de três meses, ou seja todo o Verão, na Rádio Renascença.

 

Os primeiros dias, como é normal, foram de algum nervosismo, de adaptação a uma realidade completamente distinta daquela que se está habituado na universidade, independentemente de onde se tenha tirado o curso. Entrar numa redacção, com duas dezenas de profissionais, que já estão no meio ainda antes de eu nascer, é, no mínimo, intimidatório. No entanto, e para estranheza minha, este período não durou mais que dois/três dias e isto porque todos na redacção procuraram ajudar-me a adaptar o mais rapidamente possivel. Lembro-me que, na minha segunda semana já ia a conferências de imprensa, enviava sons do local onde estava, escrevia notícias de um modo mais ou menos rápido, apesar de terem de ser corrigidas algumas vezes. Enfim, em apenas uma semana comecei a sentir-me um jornalista “a sério”.

 

Inicialmente, como disse, o estágio seria de três meses, mas uma jornalista da redacção entrou em licença de parto e, como, segundo eles, até me estava a safar bem, escolheram-me para substitui-la, já com remuneração, ou seja, a partir de Setembro passei a ser um estagiário profissional, “bolseiro”, o que preferirem. E aqui começa uma nova “aventura”, uma vez que já podia ter carteira de jornalista provisória e, assim, dar voz, fazer peças, directos, dobragens, etc.

 

Desde Setembro até ao dia 1 de Abril, altura em que acabei o trabalho na RR ( e não, não é mentira)  ,estive na campanha presidencial, em Lisboa, com o José Manuel Coelho, fiz peças no exterior com chuva torrencial, fiz um directo, inúmeras dobragens, trabalhei  na parte online, que permite ter uma outra ideia diferente do mundo do jornalismo, cada vez mais ligado às redes sociais, interactividade, etc. Ou seja, basicamente, fiz tudo aquilo a que tinha direito e isto porque na redacção sempre acreditaram em mim e me ensinaram tudo aquilo que eu precisava saber.

 

Apesar de ter saído de lá há apenas 6 dias, a verdade é que já tenho saudades da rotina que não tinha, visto que nunca sabia o que iria fazer, onde iria estar, etc e, mais do que isso, de todas as pessoas que lá estavam, que mais do que colegas, se tornaram amigos. Aquilo que posso dizer é que os nove meses na RR deram para aprender mais que os três anos de Universidade, mas atenção, esta não é uma crítica à Católica, que, na minha opinião, é uma das melhores nesta área, mas sim um elogio a todos os jornalistas que sempre me ajudaram ao longo de toda esta fase.

 

João Póvoas

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Publicado por: patriciatavares | 01/04/2011

Trabalho: procura-se!

A saga da procura de trabalho continua.

Depois de um mês no Público, voltei à estaca zero: telefonar e enviar currículo para todos os meios de comunicação social e mais algum. Respostas? Ou não as há ou as que existem são meramente para avisar que certo meio não está a contratar, mas sim a despedir.

Tenho consciência que o importante é não desistir. E insistir. É o que estou a fazer. Mas isso não impede que a motivação não vá diminuindo… E, à falta de oportunidades na área de que se gosta e a que nos dedicamos, há que apostar noutras vias. Neste momento já me estou a virar para empresas de comunicação e assessoria. Resta esperar. E acreditar!

Publicado por: maragoncalves | 26/03/2011

Jornalismo Narrativo – Conferência na Lusófona

Num extra de fim-de-semana, o Ricardo Miguel Vieira traz-nos o resumo da Conferência “O Jornalismo Narrativo nos Media”, realizada na Universidade Lusófona, na passada quinta-feira.

 

A Reportagem tem o condão de ser uma bóia de salvação, tanto para o jornalismo como para um jovem futuro jornalista. Esta foi a principal conclusão da conferência “O Jornalismo Narrativo nos Media”, que decorreu ontem na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Debateu-se como alcançar uma boa reportagem, como vivenciar e observar o que nos rodeia. Como conseguir boas histórias. Histórias que envolvam o leitor, o ouvinte ou o espectador nesse mundo que construímos a partir dos nossos sentidos. Mas também se falou da classe profissional. Da necessidade de nós, jovens aspirantes a jornalistas, nos excedermos naquilo que fazemos. De trabalharmos apaixonada e imediatamente no nosso futuro, visto que parados dificilmente alcançamos os objectivos que propusemos a nós mesmos.

José Vegar, jornalista freelancer, começou por descrever, sem eufemismos, a realidade que hoje se vive no jornalismo. “Não precisamos de vocês nas redacções. 90% dos presentes, neste auditório, nunca trabalhará num meio de comunicação. E 70% dos que aqui estão nunca trabalhará para nos media.” É uma evidência, um facto. Temos de a aceitar e lidar com este real. Até porque, se queremos trabalhar com o verídico, temos de saber encará-lo, sem atenuantes.

Distribuídas que estavam as cartas, Vegar enumerou um conjunto de factores que são determinantes para invertermos a tendência e irmos a jogo:

PONTO 1: Nunca pensar que somos jornalistas. Somos portadores de competências e devemos enriquecê-las. Desenvolver ao máximo a nossa capacidade de pesquisa por informação e de produção e edição de texto, imagem e som, aplicando-os à realidade.;

PONTO 2: Ser curiosos. Obsessivamente curiosos pelo mundo que nos rodeia. Captar os detalhes da realidade que vivemos. Interrogarmo-nos sobre o que se passa, o que acontece, e procurar respostas;

PONTO 3: Ler. Ler muito. Quem espera alcançar o jornalismo narrativo deve ler imensa literatura não-ficcional. E, claro, conhecer os grandes escritores contemporâneos do denominado New Journalism. Um ponto de referência actual, citado por Vegar: a revista New Yorker;

PONTO 4: Escrever. Complementar a leitura com a escrita. Demora-se décadas a atingir um certo nível de maturidade na escrita. Aprender como tratar os textos e perceber a potência do jornalismo narrativo. Sem nunca esquecer o inglês, língua fundamental nos dias de hoje;

PONTO 5: Procurar formação avançada noutras áreas que não o jornalismo (Economia, Novas Tecnologias, Política, etc.);

PONTO 6: Deslocar os sonhos e ver a realidade: as redacções não precisam de jornalistas de moda, música ou desporto. Existem demasiados profissionais nessas áreas. O que as redacções precisam é de jornalistas narrativos. De alguém capaz de descodificar a realidade. Não ir atrás das “histórias do coitadinho”. Tratar os assuntos que realmente interessam: política, sociedade, economia…;

PONTO 8: Jamais desistir! Muitos portas se fecharão, muitas solicitações nossas serão ignoradas. É insistir até que alguém nos receba e veja o que temos para partilhar.

Ricardo J. Rodrigues, jornalista do Diário de Notícias, e Ana Sofia Fonseca, jornalista freelancer, frisaram alguns aspectos importantes sobre o profissional que trabalha em jornalismo narrativo. Ele deve conhecer a realidade das pessoas, para conseguir criar uma história com cheiro, cor, som e, principalmente, com a voz das pessoas. Por outro lado, ele deve inquietar-se, ter uma visão mais abrangente, cavar as histórias, perguntar sem medo, pensar no que está ali ao lado e que provoca curiosidade. Um jornalista não se pode fechar ao mundo. Sem ele, não pode escrever histórias.

No final, a principal mensagem aferida pelos três interlocutores era clara: somos nós quem pode salvar o jornalismo da crise em que se encontra e somos nós que desenhamos o nosso próprio caminho como potenciais futuros jornalistas.

Ricardo Miguel Vieira

Publicado por: maragoncalves | 15/03/2011

Uma semana no Público

Amanhã faz uma semana que comecei o meu estágio no Público, no online.

Tem sido muito bom. O nervoso miudinho e a hesitação vão dando lugar à criação de rotinas: procurar notícias, ver agências, ver outros sites de notícias, outras fontes; procurar e verificar novas informações.

Já escrevi alguns artigos e ver uma peça assinada com o nosso nome pela primeira vez é, realmente, uma sensação muito boa!

Mas ainda me sinto meio perdida e a fazer todo o processo demasiado devagar – procurar, traduzir quando necessário, verificar, escrever. Espero que seja só uma fase inicial, pela qual todos os estagiários passam, e que daqui a pouco tempo já esteja tudo muito mais automatizado, mais natural.

Publicado por: patriciatavares | 11/03/2011

O verdadeiro Jornalismo

Hoje cedo o meu espaço à Cláudia Ferreira. A Cláudia licenciou-se no Instituto Politécnico de Tomar e estagiou no Público, no Verão. Esteve na secção “Portugal”. Aqui fica o seu testemunho.

Se me pedissem para resumir a experiência no Público em apenas uma palavra a escolha seria, definitivamente, “aprendizagem”. Em três meses, num simples estágio curricular, consegui obter uma visão completamente distinta do mundo que até então apenas conhecera através de teoria e pequenos trabalhos. Não minto quando afirmo que foi uma das vivências mais enriquecedoras que tive até hoje, contudo também não vou omitir o receio que senti e as inseguranças que me acompanharam.

Estar naquele jornal, que para mim é o melhor diário nacional, mesmo que por um curto período de tempo, era algo verdadeiramente impensável, algo que exigia de mim muito trabalho e dedicação. Sei que na ESTA (Escola Superior de Tecnologia de Abrantes – IPT) nos preparam para o melhor, para aquele tipo de jornalismo puro, completo e sério, mas chegar ao edifício verde na Rua Viriato faz pensar. Surge o frio na barriga, a estranha sensação de medo, e a pergunta não sai mais da nossa cabeça: “serei boa o suficiente para estar aqui?”. É difícil. É exigente. É, acima de tudo, fascinante.

Naqueles meses a silly season nem se fez notar. Tinha acesso ao verdadeiro jornalismo, aquilo que nos motiva diariamente. Trabalhos realizados em horas, pesquisa de campo, (chatos) assessores de imprensa, óptimas estórias, convívio com grandes jornalistas! Em três meses mostrei trabalho e vontade, senti dificuldade e orgulho. O Público permitiu-me crescer um pouco mais, conhecer melhor a profissão que me apaixona. Cada vez mais.

Cláudia Ferreira

Publicado por: patriciatavares | 04/03/2011

Cobrança de conteúdos na net

Conteúdos pagos na internet. O tema tem estado no centro das atenções nos últimos tempos, especialmente pelos (maus) resultados apresentados por alguns meios de comunicação social estrangeiros que aderiram à ideia. Basta pensar no “The Times” (que continua a insistir, apesar de o número de visitas ter sofrido uma forte queda).

Por cá, também já começam a querer implementar o sistema. Para quem ainda não viu, deixo aqui excertos da notícia do Público:

“Sonaecom estuda cobrança de conteúdos no site do PÚBLICO”

«Cláudia Azevedo, administradora executiva da empresa, avançou hoje que o diário teve uma melhoria de resultados em 2010 e que poderá começar a cobrar por mais conteúdos online. (…) “Estamos a fazer um esforço grande para aumentar as receitas do Público online”, referiu, acrescentando que esta plataforma tem tido “um crescimento importante de receitas”. O aumento esperado pela Sonaecom poderá resultar da cobrança dos conteúdos do site, avançou Claúdia Azevedo, assegurando, porém, que essa decisão não será tomada para a totalidade da informação e serviços prestados online.

“Estamos a olhar para isso, mas será uma estratégia mista porque há uma percentagem de conteúdos que será sempre gratuita e outra que será paga”, explicou. Actualmente, parte dos conteúdos já são pagos, como é o caso dos artigos de opinião publicada em papel, dos suplementos e do arquivo do jornal impresso. “Não faz sentido as pessoas não pagarem pelos conteúdos, mas só se faz isso tendo bons conteúdos, conteúdos diferenciadores. Por isso, essa é a nossa aposta”, acrescentou.»

http://economia.publico.pt/Noticia/sonaecom-estuda-cobranca-de-conteudos-no-site-do-publico_1483158

Face a isto, quero saber a vossa opinião! Concordam com a cobrança por conteúdos informativos na internet? É legítimo, tendo em conta que o normal acesso à informação neste meio é, por princípio, gratuito? Que consequências podem surgir daqui? O espaço está aberto ao debate.

No dia 15 de Janeiro nasceu uma nova revista online para o público jovem. A ser preparada desde Setembro, a Clique surgiu de uma conversa de café e do “sentido de empreendedorismo” de três jovens, ainda a tirarem a licenciatura em Ciências da Comunicação. Em menos de dois meses, a Clique deixou de ser semanal e passou a publicar conteúdos quase todos os dias. Ao site, soma uma conta activa no Facebook e um programa de rádio.

Fomos então falar com o director de conteúdos, João M. Vargas, e conhecer um pouco mais este projecto.

1. Fala-me um pouco do Clique. Que projecto é este?

O Clique é uma revista online, que começou por ser pensado para ser uma revista semanal. Para ter uma publicação todas as semanas, ao fim-de-semana. Mas depois acabou rapidamente por se tornar numa publicação diária, porque sentimos a necessidade de fidelizar os leitores e de ter conteúdos que pudessem ser acedidos todos os dias. O Clique é uma equipa bastante jovem, em que nenhum dos elementos é ainda sequer licenciado, portanto em certa medida inexperiente. E é uma revista vocacionada também para um público bastante jovem, dos 18 aos 25 anos, e que procura abordar os temas de uma maneira um bocadinho mais descontraída e menos formal do que o que estamos habituados a ver nos meios de comunicação mainstream.

2. Como é que nasce este projecto?

A ideia de criar o Clique surgiu em Setembro, quando eu estava com a Joana [Bento] e o Gonçalo [Simões] (que são os outros fundadores do Clique). Estávamos um dia num café e começámos a pensar em fazer qualquer coisa, quando percebemos que podíamos estar a acabar o curso e não ter sítio nenhum onde trabalhar. E então porque não criar qualquer coisa que eventualmente um dia pudesse ser o nosso próprio emprego? Ainda não é, obviamente. Mas durante os quatro/cinco meses seguintes pusemos o projecto de pé, convidámos as pessoas e depois em Janeiro de 2011 lançámos o Clique. Foi uma ideia que surgiu de uma forma muito espontânea, numa conversa de café, mas que depois foi sendo aprofundada e que acabou por resultar no projecto que está agora online.

3. Quais são os vossos objectivos?

Numa primeira fase – nos primeiros três meses – o objectivo é testar. Ainda estamos naquela fase de ver se é uma coisa para ficar e para durar ou se não tem muito futuro. No entanto, temos tido um feedback positivo e os resultados têm sido positivos. A fase de teste está a correr bastante bem, portanto, seguramente o Clique vai continuar. Depois, a partir de Setembro – que é a altura em que alguns membros da redacção começam a precisar de trabalhar – vamos tentar rentabilizar o projecto. Obviamente não fazendo aquele trabalho muito complicado hoje em dia de criar um jornal, uma revista, mesmo que ainda online, que seja rentável. Mas tentar, através da publicidade, fazer o projecto um bocadinho mais sério, um bocadinho mais profissional. Até para podermos ter conteúdos mais aprofundados e principalmente reportagens – que é o nosso objectivo final: termos um suporte onde publicar reportagens de fundo e não tanto as notícias do dia-a-dia.

4. Porquê “Clique”?

O nome Clique surgiu mais ou menos porque não havia outro. Nós queríamos encontrar um nome que, por um lado, desse credibilidade e que, por outro, fosse descontraído. Não queríamos uma coisa muito formal, muito tradicional, muito conservadora. A ideia foi do Gonçalo, foi ele que se lembrou de “Clique”. Nós queríamos algo que remetesse também para a Internet, para os computadores, porque é essa a plataforma fundamental (ainda que tenhamos o programa de rádio depois associado). E o nome Clique foi uma ideia que foi lançada e como não havia nenhuma melhor acabou por ficar. E acho que até nem foi muito mal escolhido.

5. Como é que os gastos do site são suportados?

Os gastos actualmente são totalmente suportados por nós os três. Portanto, temos uma equipa já com quase 30 pessoas, mas só nós os três é que suportamos o site. Mas são poucos gastos, porque os registos do site foram todos feitos no início, portanto esse foi o gasto maior. Depois o alojamento mensal do site é relativamente baixo. Portanto não é um gasto por aí além, ainda que nós queiramos o mais rapidamente possível ter publicidade para, não só pagar o site, mas para poder aumentar o domínio – quando começarmos a ter informação a mais e não tenhamos espaço para a publicar – e também para podermos começar a fazer reportagens com mais qualidade técnica, especialmente ao nível do som (que é aquilo que é mais difícil de conseguir com qualidade). E os lucros que nós venhamos a ter da publicidade obviamente nunca serão para pagar a redactores ou editores, porque isso era impensável, mas serão para conseguirmos material para fazermos as reportagens.

6. Quem escreve para o Clique?

Neste momento a redacção do Clique é composta exclusivamente por alunos de Ciências da Comunicação da FCSH, ainda que o projecto não tenha nada a ver com a faculdade, nem esteja dependente da faculdade. A equipa editorial é toda deste curso, também por uma questão de proximidade e de conhecimento das pessoas que poderíamos chamar. Ainda assim temos dois cronistas “extra” faculdade, ou melhor, um deles não “extra” faculdade porque é professor aqui, o Alberto Arons de Carvalho, e depois o Steve Doig, prémio Pulitzer [mas que também leccionou na Faculdade no semestre passado], que também escreve para nós. Neste momento vamos começar a alargar a redacção para uma ou outra pessoa de outras faculdades, de outros cursos de Ciências da Comunicação. E nós vamos buscar os redactores exclusivamente a cursos de Ciências da Comunicação ou Jornalismo, porque são aqueles que à partida já têm capacidade e conhecimento técnico para escrever. A não ser que sejam cronistas. Mas os redactores terão todos que ter alguma formação a nível de jornalismo e não serem propriamente amadores.

7. E se alguém quiser também participar neste projecto?

Inicialmente fomos nós que fizemos a escolha. Aliás o projecto foi mantido minimamente em segredo, nunca falámos muito sobre ele e escolhemos as pessoas que nos pareceram indicadas. Na maior parte dos casos acertámos e foram boas escolhas. Tivemos uma escolha ou outra que não foi a mais acertada e agora estamos a fazer a reestruturação da redacção. Uma ou duas pessoas vão sair, outras vão entrar. Mas numa primeira fase foram exclusivamente por convite, porque como estávamos a lançar o projecto queríamos que fosse uma equipa coesa e em quem nós confiássemos e que conhecêssemos bem as pessoas. Nesta fase, e porque queremos publicar cada vez mais conteúdos diários e precisamos de muita gente para começar a alargar o âmbito, estamos não só a convidar outras pessoas como a aceitar pessoas que queiram participar. Claro que depois temos que ver algum trabalho delas, alguns artigos que tenham feito… mas claro que os próprios redactores podem propor-se ao Clique.

8. Que tipo de assuntos trata o Clique?

O Clique, como já disse, tem uma abordagem muito mais descontraída e menos formal. Nesse sentido, o que nós procuramos é trabalhar as temáticas que os media mainstream trabalham, mas não propriamente as “hard news”. Por hipótese, quando há um aniversário de um acontecimento importante – do 11 de Setembro, por exemplo – não vamos fazer uma reportagem sobre o 11 de Setembro em si, mas sobre o terrorismo, sobre o que é que mudou nos últimos 10 anos depois do 11 de Setembro. Vamos pegar nos temas, no acontecimento, para extrapolar para outros assuntos.

Depois, temos uma divisão minimamente formal e tradicional dos jornais: Desporto, Portugal, Internacional e Actualidades. Se bem que depois cada uma das secções é trabalhada de uma maneira diferente. Enquanto o Internacional e o Desporto são duas secções trabalhadas com notícias principalmente; o caso de Portugal é trabalhado com dossiers e não propriamente notícias do dia-a-dia. E depois, na parte das Actualidades, cabe um bocado de tudo o que quisermos falar, desde televisão, cinema, media, ciência, tecnologia… esse tipo de assuntos. São assuntos mais light, também são assuntos que têm mais publicações tradicionalmente. É onde temos festivais de Verão, concertos, estreias da semana…

No caso das estreias da semana nós aproveitamos o Espalha Factos, que é outro site que já existe, já com mais alguma experiência e que faz as estreias da semana. E como nós partilhamos algumas pessoas da redacção – o director do Espalha Factos também é editor no Clique – aproveitamos alguns conteúdos que eles fazem nessa secção. Eles também publicam coisas que nós publicámos e portanto aí há alguma colaboração.

E depois temos as rubricas: Reportagem, Opinião e Entrevistas. Neste momento ainda não saiu nenhuma entrevista; temos as reportagens que saem poucas, porque é difícil fazer reportagem de fundo e de investigação no local; e secções de opinião, que para além do Alberto Arons de Carvalho e do Steve Doig, ainda temos o Samuel Pimenta, que é um autor jovem e que também é aluno aqui na faculdade, por isso aproveitámos a colaboração dele.

9. Qual a origem dos conteúdos do Clique?

No caso do Internacional, por exemplo, a fonte é a Internet. Obviamente não podemos ir à Líbia ou ao Egipto. No caso do Desporto, utilizamos também muito a Internet, mas num futuro próximo esperamos começar a fazer, com passe de imprensa, coberturas de eventos mais específicos, principalmente eventos “não futebol”. Deixar o futebol de lado, já toda a gente está farta de ouvir falar de futebol, e falar de outros desportos mais paralelos, mais amadores.

No caso de Portugal, há um misto. Usamos muito a Internet, mas também tentamos o mais possível utilizar a pesquisa no local. E no caso das Actualidades, procuramos, sempre que possível, fazer entrevistas. Por exemplo, esta semana temos uma notícia sobre os Maria Amélia, em que fizemos uma entrevista com o Nilton.

E depois, aproveitamos notícias que tenham sido publicadas para cadeiras da faculdade. Caso tenhamos, republicamos. Aconteceu com o caso dos pequenos partidos políticos nas presidenciais que publicámos no final de Janeiro. Aconteceu esta semana com uma notícia que foi feita para uma cadeira, sobre uma peça de teatro do Teatro da Trindade, o Otelo. Portanto, tentamos aproveitar ao máximo, até porque não temos muito tempo para fazer ainda mais trabalhos. Por isso tentamos ao máximo, sempre que sentimos que se enquadra, publicar.

10. Fala-me um pouco do programa na rádio.

A ideia do programa na rádio surgiu muito depois da inicial. Só em Novembro, Dezembro é que se começou a pensar nisso. Temos facilidade em contactar com a rádio onde nós estamos a emitir, que é a Rádio Boa Nova (na Oliveira do Hospital), até porque é onde o Espalha Factos, que é nosso parceiro, também tem um programa de rádio. Como tínhamos essa facilidade, conseguimos um acordo com a Rádio Zero (do Técnico) para gravarmos lá o programa e depois transmitimos na Rádio Boa Nova.

O objectivo do programa é, de certa maneira, lançar o Clique. É importante referir que o programa foi pensado quando o Clique estava pensado para uma revista semanal. Ou seja, o Clique saía ao Sábado e o programa era na sexta à noite, fazendo uma espécie de antevisão. Entretanto o Clique passou a ser diário, mas no entanto há sempre alguns conteúdos fixos, que já são minimamente programados ou agendados, e o programa na rádio faz também essa antevisão. Foca-se principalmente no tema forte da semana e faz um comentário sobre esse tema, que depois a edição do Clique na Internet vai abordar. Ou seja, fundamentalmente faz a antevisão do que vai sair no site.

O programa passa nas sextas-feiras às sete e repete ao sábado, às cinco da tarde.

11. A médio prazo e conforme consigam dinheiro com a publicidade, pretendem que os vossos conteúdos sejam principalmente em texto ou procurarão uma maior diversidade de meios?

O objectivo inicial do Clique, porque é uma revista na Internet, era usar a imagem, seja fotografia, seja vídeo. Quanto mais imagem houver na Internet, mais apelativo se torna o texto. E sempre tínhamos pensado fazer isso logo desde o início, mas é muito complicado, principalmente na imagem em vídeo. Portanto, o que nós queremos é conseguir arranjar meios técnicos para ter o máximo de informação em multiplataformas possível. Portanto se conseguirmos dinheiro, obviamente vamos tentar comprar ou de alguma maneira aceder aos meios que nos permitam fazer principalmente as reportagens de fundo, de investigação, com o máximo de imagem e áudio possível (mas principalmente imagem em vídeo). Mas obviamente que isso é dispendioso e, portanto, só aos poucos é que se vai conseguindo.

Publicado por: maragoncalves | 02/03/2011

Entrevista à Clique

Acabei de fazer uma entrevista ao João M. Vargas, director de conteúdos da revista online Clique.

Só transcrever e publico aqui. Não percam!

Publicado por: maragoncalves | 15/02/2011

Férias é ter tempo

Para mim férias é, acima de tudo, ter tempo.

Ter tempo para ler os 200 feeds que tinha acumulado (e que já tinham sido filtrados diariamente), os alertas do google que enchiam a caixa do hotmail e actualizar os blogues. Ter tempo até para terminar de ler o livro que ficou esquecido na mesa de cabeceira. É ainda altura de tentar arrancar de uma vez por todas com um projecto e tentar desenvolver um outro. É ter tempo para estas e outras coisas, sem esquecer o descanso (merecido).

Têm sido férias “de trabalho”, mas sabe muito bem poder me dedicar a estas coisas que tinham ficado em stand-by. As leituras já estão, venham agora os projectos!

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Também tenho tido tempo para ver alguns grandes exemplos de multimédia e vídeo. Já tinha cá deixado alguns e numa conversa facebookiana com o Ricardo, acabámos por criar uma lista com outros (acrescentei mais alguns):

Existem outros grandes trabalhos que não estão aqui? Digam-nos quais, na caixa de comentários 😉

Publicado por: diogocavaleiro | 14/02/2011

Não desiludir

Bem sei que, de há uns tempos para cá, a minha contribuição aqui no blogue tem sido mais intermitente. Mas é por uma boa razão. Ando cheio de trabalho. Ando cheio de vontade de fazer coisas, ando a investigar, ando a ler, ando a pensar. E claro, acabo por ficar com menos tempo para poder deixar aqui o meu comentário semanal. Não que tenha algo de transcendental para aqui deixar, mas convém vir dar “o ar da minha graça” num espaço com o qual me comprometi.

Como sabem, depois do estágio tive a oportunidade de ficar no Jornal de Negócios. E a maior dificuldade que encontrei foi lidar com a pressão. O facto de terem gostado do meu trabalho e de terem confiado em mim faz com que tenha de fazer um esforço suplementar para não desiludir. Nestes dias, aquilo que não quero é que quem me deu a oportunidade pense que cometeu um erro.

Mas tenho-me esforçado para que isso não aconteça e tenho escrito bastantes coisas de que gosto. Sabe bem encontrar uma notícia, um assunto a ser explorado, e ver que os leitores também o acham interessante. E sabe bem ouvir boas críticas. E até as más. Não vou dizer que adoro ouvi-las mas, pelo menos, fico com a ideia de que cometer certo erro agora é menos um erro a cometer no futuro.

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